Polícia Civil aguarda autorização judicial para destruir 1.8 mil máquinas caça-níqueis

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Máquinas caça-níqueis no depósito da Academia da Polícia Civil

1,8 mil máquinas devem ser destruídas

A Polícia Civil aguarda autorização judicial para destruição de 1.801 máquinas caça-níqueis apreendidas na grande Goiânia nos últimos anos. Boa parte do material está guardado no depósito da Academia da Polícia Civil, em frente ao Parque Mutirama, no Centro. Como o imóvel terá de ser desocupado em breve, a delegada-geral da Polícia Civil, Adriana Accorsi, avisa que já pediu ao presidente do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), desembargador Leobino Valente Chaves, que seja indicado um juiz da capital para centralizar todos os pedidos de destruição dos equipamentos levados ao Judiciário.

Segundo ela, normalmente, as solicitações de ordem judicial para destruição são encaminhados a uma das 12 varas criminais de Goiânia. “Há juízes que, por excesso de trabalho, demoram para apreciar os processos, o que faz com que o depósito e os pátios das delegacias de polícia da capital, para onde os equipamentos também são levados, fiquem lotados de maquinas”, afirma a delegada-geral, que acredita que a centralização servirá para dar celeridade à análise dos casos.

A necessidade de autorização judicial se deve, conforme o superintendente da Polícia Judiciária, delegado Antônio Gonçalves, porque as máquinas servem como prova nos 664 inquéritos policiais já instaurados desde o ano passado para investigar os jogos de azar. E, para o aval da Justiça, ele explica que as máquinas têm de passar, primeiramente, por perícias feitas por peritos da Polícia Técnica-Científica. Eles atestam se os equipamentos estavam mesmo operantes e se eram utilizados nos jogos ilegais.

Grandes casas

Em2011, apolícia concentrava suas operações na identificação e no fechamento de grandes casas que exploravam exclusivamente os jogos de azar. Este ano, principalmente após a deflagração da Operação Monte Carlo, pela Polícia Federal, que resultou na prisão do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a polícia tem dedicado atenção especial também às inúmeras denúncias anônimas que apontam locais em que os jogos são explorados, como bares e edifícios residenciais. “Devido o destaque que o tema tem ganhado na imprensa, muita gente perdeu o medo e tem avisado a polícia”, diz.

Las Vegas

Conforme relatório da Gerência de Análise de Informações da Secretaria de Segurança Pública, em 2011 foram apreendidas 449 máquinas caça-níqueis. Nos três primeiros meses deste ano, 215 equipamentos foram retirados do mercado. Já na Operação Las Vegas, deflagrada pela Polícia Militar no dia 21 de março e que ainda continua em atuação, já foram apreendidas outras 164 máquinas caça-níqueis em Goiânia e região. Ela foi iniciada apenas 20 dias depois do início da Operação Monte Carlo, que investiga a ligação de agentes públicos e políticos goianos, entre eles o senador Demóstenes Torres, com esquema de jogos de azar, comandado por Carlinhos Cachoeira.

Negócio rentável

E se é significativo o número de apreensões, a reposição das máquinas também ocorre de forma muito rápida. Isso acontece, na opinião do delegado-adjunto da Polícia Civil, João Carlos Gorski, porque o negócio é muito rentável e a penalização do infrator muito branda, já que os jogos de azar não são considerados crimes, mas apenas contravenção penal.

Reposição

E para facilitar a reposição do material apreendido, João Carlos avisa que os exploradores dos jogos de azar trazem de fora, por meio do contrabando, apenas as placas de vídeo e os contadores de moeda, que são os componentes mais sofisticados dos caça-níqueis e do videopoquers, como os flagrados por reportagem do POPULAR em casas acima de qualquer suspeita no Setor Bueno. Os monitores e os caixotes são adquiridos facilmente no mercado local.

No entendimento de João Carlos, o fato de haver um monopólio na exploração do jogos de azar, centralizado no comando de Carlinhos Cachoeira, detido no presídio de segurança máxima de Campo Grande (MS), também facilitaria a reposição dos equipamentos. “Há alguns anos, outros grupos que exploram a jogatina no Brasil tentaram entrar no Estado, mas não conseguiram”, acredita o delegado-adjunto.

Texto: Marília Costa e Silva
Foto: Sebastão Nogueira
Fonte: O Popular