Polícia Civil apreende jovem que abusava dos cinco irmãos menores em Piracanjuba

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Pais do menor apreendido também foram autuados pelo favorecimento ao crime
Pais do autor também foram autuados pelo favorecimento ao crime

Irmão mais velho confessou
autoria dos estupros para
delegado e não teria
expressado remorso

Um lavrador de 60 anos e uma doméstica de 33 anos foram presos em flagrante e o filho mais velho dela, de 17 anos, com passagem por ato infracional análogo a tráfico de drogas, protagonizaram uma história de violência extrema e de omissão na guarda dos filhos menores, com idades entre 5 anos e 12 anos. Durante mais de 10 anos, os filhos da mulher teriam sido abusados sexualmente e torturados em uma relação incestuosa praticada pelo adolescente com o conhecimento de ambos, fatos que teriam ocorrido na casa da família em Piracanjuba, a 87 quilômetros de Goiânia.

Ontem à tarde a mãe do suspeito e das cinco vítimas conversou com a reportagem. Ela afirma que não sabia dos abusos e que os filhos nunca reclamaram de nada. Ela relata que só foi informada dos atos há cerca de 15 dias, quando a Polícia Civil (PC) já investigava o caso e solicitou exames em todas as crianças. Mesmo assim ela disse não ter comunicado o fato à polícia porque uma mulher a teria orientado a esperar. O delegado que cuida do caso, Vicente de Paulo Silva e Oliveira, entende que houve omissão e que ela não avisou por ser conivente com o crime. A mulher citada pela mãe não existiria.

delegado vicente
Delegado Vicente de Paulo

Depois de negar saber dos abusos praticados pelo filho, a mãe disse que um vizinho conhecido pelo apelido de “Baiano” também teria abusado de seus filhos. Esse fato será investigado pela polícia. Mas o delegado diz não ter dúvida do crime ocorrido dentro da residência em um bairro humilde, formado por casas cedidas pela prefeitura.

O adolescente foi autuado em flagrante por ato infracional análogo ao crime de estupro de vulnerável em concurso material. Os pais foram autuados em flagrante por estupro de vulnerável na modalidade omissiva imprópria, podendo ser condenados a mais de 30 anos de reclusão. O casal e o adolescente foram autuados em flagrante na sexta-feira depois de 15 dias de investigações da Polícia Civil.

                                                             Abusos

As crianças de 5, 7, 10 e 12 anos, além de uma adolescente de 14 anos eram vítimas de abusos sexuais e torturas diariamente, assim que chegavam da escola no fim da tarde. Os pais saíam de casa para que os crimes acontecessem, conforme informações da Polícia Civil. O primeiro caso teria acontecido em 2004, quando o autor tinha apenas 4 anos. “As torturas e abusos continuaram até que a primeira vítima cresceu e as outras foram nascendo. Eram penetrações anais, felação e outras formas de abuso sexual”, contou o delegado.

Das vítimas, apenas uma das crianças é menina e era estuprada sempre no quarto dos pais. Ela tem 5 anos. “Eles fingiam que nada ocorria, mesmo depois de avisados por um médico legista, nada fizeram para impedir.”

O delegado ouviu autor e vítimas por mais de dez horas na madrugada de sábado e o irmão mais velho confessou os estupros. Oliveira disse ter percebido que o adolescente não expressou arrependimento ou remorso. As crianças estão abrigadas em uma casa de apoio à espera da orientação judicial.

                                        “Nenhum nunca me contou nada”

A mãe do autor e das cinco vítimas do abuso conversou com a reportagem do POPULAR. Usando um vestido estampado e de chinelos, ela se sentou, com as mãos algemadas e falou pouco. Demonstrou preocupação ao falar do marido e do filho, que também estão presos. Só mencionou os filhos que foram vítimas dos abusos depois de questionada.

Você sabia que o seu filho mais velho praticava esses atos contra os demais?
Não. Nunca soube. Nenhum deles nunca me contou nada.

Você nunca desconfiou que eles pudessem estar sendo abusados ou ameaçados?
Nunca imaginei.

Quando soube, o que fez?
Não fiz nada. Uma mulher me disse para não fazer nada. Procurei um advogado, mas ele disse que não trabalhavam com essa área.

Qual é a sua maior preocupação agora?
Meu marido, que está preso e não tem nada a ver com essa história.

Então, quem tem responsabilidade nessa história?
(Silêncio)

Qual é a sua segunda maior preocupação?
Meu filho, que está preso. Temo por ele. Tenho medo que judiem dele aqui na cadeia.

E seus outros filhos? Qual é a sua preocupação em relação a eles?
Também me preocupo com eles. Fiquei sabendo que estão bem.

Fonte: G1 / GO
Foto: Ricardo Rafael