Polícial Civil Cláudio Gonçalves, o Carral, assassinado com dois tiros na porta de hospital

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Policiais Civis na porta do hospital onde o policial foi baleado

O agente da Polícia Civil Cláudio Gonçalves Dias, de 44 anos, foi executado com dois tiros à queima-roupa, na porta do Hospital do Rim, na Alameda das Rosas, no Setor Oeste, no início da tarde de ontem. Cláudio Carral, como era conhecido no meio policial, foi atingido no braço e no queixo, de baixo para cima. O projétil saiu no alto da cabeça.

Uma testemunha viu quando o agente saía do hospital e dois homens em uma motocicleta Honda Twister preta chegaram. O garupa, que usava uma blusa preta, desceu e atirou. Ninguém teria falado nada, segundo ela.

Foi a testemunha que acionou os médicos do Hospital do Rim, que prestaram os primeiros socorros ao policial civil. Carral foi transferido para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde morreu por volta das 15h20, uma hora depois dele ser baleado. Policiais civis e militares se mobilizaram o dia todo na busca dos dois homens que estavam na motocicleta.

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O delegado Edson Carneiro Caetano, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores, disse que Cláudio era um excelente policial. Ele havia ido ao banco sacar dinheiro para pagar um médico do hospital. “Sabemos que ele sacou R$ 2 mil, pagou R$ 1 mil e saiu do hospital quando foi executado”, disse. A arma que ele portava, uma pistola calibre ponto 40 da Polícia Civil desapareceu.

Por determinação de Edson Carneiro, usuários de droga que estavam nas proximidades foram levados pela Polícia Militar para averiguação na delegacia. Até o início da noite todas as equipes de policiais de todas as delegacias especializadas trabalhavam na investigação da morte do colega.

Os trabalhos são centralizados na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH). Segundo o delegado Murilo Polati, titular da DIH, não existiam câmeras de segurança no lado externo do hospital, mas a Polícia Civil tentava identificar outros locais que possam ter câmeras.

Segundo ele, existem duas possibilidades. A de latrocínio, roubo seguido de morte, já que Cláudio havia acabado de sair de uma agência bancária e pode ter sido seguido pelos assaltantes, que não levaram nada dele. A outra, mais condizente com o testemunho da mulher que presenciou o crime, é a de que o policial civil foi executado e a morte teria ligação com algum caso que ele estava investigando.

A testemunha afirma que os dois homens da moto se aproximaram sem dizer nada e o garupa desceu e atirou duas vezes na direção da cabeça do agente.

O delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, João Carlos Gorski, por meio de nota à imprensa, se solidarizou com os familiares do policial e disse que tem profundo pesar com a morte dele. “A morte brutal desse zeloso e dedicado policial deixa um vazio e uma profunda tristeza em toda a instituição policial civil goiana”, diz a nota.

O presidente da União Goiana dos Policiais Civis, José Virgílio Dias de Sousa, acredita que os dois homens sabiam que estavam matando um policial. “A morte de um policial quando o assassino sabe estar matando um agente da lei, representa mais do que a morte de um servidor da segurança pública é uma verdadeira agressão ao Estado. Demonstra que o agressor rompeu todos os limites socialmente toleráveis. Esse tipo de agressão confronta diretamente a autoridade do Estado, que se mostra impotente. Chamo a atenção, os assassinos sabiam tratar-se de um policial”, disse.

Ele lamentou a morte do colega que tinha mais de 20 anos na corporação. “Cláudio era um excelente policial, atento, sóbrio, perspicaz, de fato um verdadeiro ‘cana’, competente e com muito tirocínio para o ofício”,completou.

Como a mulher de Cláudio está internada sob cuidados especiais – é portadora de problemas renais graves, segundo os colegas contaram – ela ainda não sabia da morte do marido. Colegas e familiares aguardam dar a notícia para poder marcar o local e a hora do sepultamento do policial civil.

Amigos e agentes de Claúdio estavam inconformados com a violência com que ele foi morto. Eles se reuniram ontem à tarde nas Delegacias Especializadas da Cidade Jardim, aguardando informações. Cláudio Gonçalves Dias deixou mulher e quatro filhos.

Fonte: O Popular
Texto: Rosana Melo
Foto: Wildes Barbosa