PC conclui inquérito da morte de Davi Sebba e aponta violação de sigilo funcional por Policiais

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A Polícia Civil enviou ontem (06.06) o inquérito que apurou o assassinato do advogado Davi Sebba Ramalho, ocorrido no dia 5 de julho do ano passado, no Carrefour do Setor Sudoeste, para a Justiça e sugeriu que cópia integral dos autos sejam encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF) para que seja apurado crime de violação de sigilo funcional por parte de policiais federais.

Davi Sebba: Assassinado por Policiais Militares

Davi Sebba Ramalho era investigado pela Polícia Federal em uma operação que visava prender uma quadrilha internacional de tráfico de drogas e informações dando conta da venda de drogas no início da noite do dia 5 de julho do ano passado no estacionamento do hipermercado foram repassadas pela PF ao serviço de inteligência da Polícia Militar (PM-2), que foi ao local averiguar a denúncia com o intuito de flagrar o crime. O resultado da ação foi o assassinato do advogado. Os militares receberam uma ficha com a fotografia de Davi Sebba e a informação de que ele tinha um Pólo Sedan.

O advogado foi assassinado com um tiro no tórax. A conclusão da Polícia Civil é a de que o advogado foi executado, já que não teve como se defender, conforme laudo pericial de local de crime e da reprodução simulada dos fatos.

A perícia apontou ainda que a arma com numeração raspada encontrada no banco de passageiros do carro de Davi teria sido colocada no local depois que o veículo se chocou com uma barra de sustentação do estacionamento do supermercado. Foi anotado ainda que o local não foi preservado, com “grave alteração do estado original das coisas” dentro do veículo, como, por exemplo, o recolhimento das cápsulas deflagradas pelos policiais militares que trabalharam no caso.

Contrariando a versão dos militares e de uma testemunha, a perícia foi categórica ao afirmar que as duas mãos de Davi Sebba estavam no volante do carro e não com uma abaixada para pegar uma arma que estaria no banco de passageiros. A trajetória do projétil que atingiu o tórax do advogado é condizente com apenas essa possibilidade: a das duas mãos no volante do carro.

Uma das principais provas periciais constantes no inquérito é o laudo da reprodução simulada do crime. Na reconstituição, os policiais militares Jonathas Atenevir Jordão, Edinailton Pereira de Souza e Luiz Frederico Oliveira contaram suas versões de como aconteceu o crime, mas o posicionamento deles e a dinâmica do crime e da tentativa de fuga do advogado não condizem com o laudo de local de crime, que também consta no inquérito.

“As informações são contraditórias, assim como os depoimentos de uma testemunha ouvida três vezes no inquérito”, contou Murilo Polati, titular da Delegacia de Homicídios. Segundo ele, a testemunha estava no local para comprar maconha da vítima. Nos três depoimentos ele, na tentativa de proteger os PMs, acaba contradizendo o que os militares disseram em seus depoimentos.

Depois de receber todos os laudos, terminar de colher os depoimentos, refazer o trabalho de outro delegado que iniciou as investigações – e depois de 11 meses do crime -, o delegado Murilo Polati indiciou pelos crimes de homicídio qualificado, fraude processual, porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada, disparo de arma de fogo e usurpação da função pública o soldado Jonathas Atenevir Jordão, o soldado Luiz Frederico Oliveira e o tenente Edinailton Pereira de Souza.

O capitão Durvalino Câmara Santos Júnior, que comandava na época o serviço reservado do Comando de Operações Especiais (CME) da PM, foi indiciado por usurpação de função pública, sob a alegação de que os militares estavam investigando o tráfico de drogas, o que é atribuição das Polícias Judiciárias (Polícias Civil e Federal).

Em entrevista ao POPULAR ontem, o capitão disse que sua equipe não estava investigando o tráfico. Segundo ele, a partir de informações da PF, designou uma equipe para efetuar o flagrante do advogado investigado pela PF por tráfico.

O soldado Jordão, também em entrevista ao POPULAR, contou que foi o autor do único disparo a atingir o advogado Davi Sebba. Segundo ele, ao abordar o advogado, identificando-se como polícial, Davi teria levado a mão na direção de uma arma no banco de passageiros. Ele teria atirado para evitar que fosse baleado pelo advogado.

Segundo a versão dos militares, depois de abordado e baleado, Davi Sebba ainda percorreu cerca de 200 metros na tentativa de fugir, fazendo manobras no estacionamento até colidir com uma barra de sustentação do estacionamento.

Fonte: O Popular
Texto: Rosana Melo
Foto: A Redação