Matrinchã: Polícia Civil conclui inquérito sobre mortes de prefeito e primeira-dama

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Delegado Valdemir Branco, titular da Deic

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia de Investigações Criminais (Deic), concluiu o inquérito sobre as mortes de  Daniel Antônio de Souza, de 50 anos, e Elizeth Bruno de Barros, de 40 anos, respectivamente, prefeito e primeira-dama de Matrinchã, ocorridas em 3 de agosto de 2015, naquele município. Ao todo, três pessoas serão indiciadas pelo crime, cujo inquérito deve ser remetido ainda nesta sexta-feira (19) para o Fórum de Itapirapuã.

A conclusão do caso foi apresentada pelos delegados Valdemir Pereira, atual titular da Deic, e Kleber Toledo, responsável pela especializada na época do crime. Eles explicaram a dinâmica do crime e a participação de cada um dos acusados, Hélio Alves Soyer, ex-secretário de Finanças de Matrinchã, Dalmi Félix da Cruz, e Cleib Bueno de Morais, ex-secretário de administração.

De acordo com as investigações, que duraram um ano, o crime foi executado por Hélio e Dalmi, que foram até a chácara do casal e se sentaram à mesa, localizada na área da casa. Em determinado momento, enquanto Elizeth  se e levantou, Dalmi acertou a cabeça do prefeito com golpes de marreta. Ao cair, Hélio ainda cortou o pescoço da vítima utilizando uma faca. A esposa, que ouviu o barulho da queda do marido, chegou ao local e também foi morta, nas mesmas circunstâncias.

De acordo com as investigações, Hélio chegou a acompanhar o trabalho da perícia e esteve ao lado da família durante o velório do casal, cujos corpos foram arrastados da área para cômodos internos do imóvel. Ao deixarem o local, a dupla tentou simular o cenário de um assalto. “Uma TV foi retirada da parede e o celular de Elizeth foi retirado do local, sendo encontrado posteriormente nas proximidades do imóvel”, contou o delegado Kléber Toledo.

Uma semana depois, Hélio se apresentou à polícia, confessando participação no duplo homicídio. No dia seguinte, Dalmi também se apresentou, mas alegou que chegou à chácara depois que o casal já havia sido assassinado. As investigações mostraram que a dupla se encontrou em Goiânia nos dias seguintes ao crime, para combinarem a versão a ser apresentada à polícia.

Ambos foram presos em julho de 2016, em Brazabrantes e Nova Veneza, respectivamente, em cumprimento a mandado de prisão. Já em agosto deste ano, foi preso o ex-secretário de Administração da cidade, Cleib Bueno de Morais, suspeito de instigar os executores do crime. Hélio alegou que nutria ódio pelo prefeito, ao passo que Dalmi teria, com a morte do político, a garantia de ter seus serviços contratados pela prefeitura. Cleib, por sua vez, tinha interesse em se tornar prefeito da cidade.

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Familiares conversam com delegados

O trio permanece preso na carceragem da Deic. Cleib será indiciado por homicídio qualificado, relacionado a Daniel, já que teria partido dele a ideia de matar Daniel, sem, no entanto, mencionar o nome da primeira-dama. Já Hélio e Dalmi foram indiciados por duplo homicídio qualificado, já que assassinaram as duas pessoas. “Elizeth só foi morta porque estava no local”, esclareceu o delegado Valdemir Pereira.

Durante a apresentação da conclusão do inquérito, vários familiares das vítimas estiveram na delegacia, para agradecer à Polícia Civil pela elucidação do caso.