Polícia Civil conclui investigação do assassinato de Polyanna Arruda com prisão dos acusados

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Polícia Civil conclui inquérito do caso Polyanna Arruda

 

Cercado por Policiais Civis, Diango, Marcelo, Assad e Leandro: assassinos de Polyanna Arruda

Foi concluído o inquérito do assassinato da publicitária Polyanna Arruda. A afirmação foi feita pela delegada geral da Polícia Civil, Adriana Accorsi, durante a apresentação, na manhã desta quarta-feira (21/12), de quatro pessoas suspeitas de participar da morte da publicitária. Assad Haidar de Castro, 23 anos, Leandro Garcez Cascalho, 34 anos, Marcelo Barros Carvalho, 23 anos e Diango Gomes Ferreira, 35 foram presos no início da semana. Os quatro negaram participação no assassinato, mas serão encaminhados para a Casa de Prisão Provisória (CPP) onde aguardam pronunciamento do Ministério Público que definirá a tipificação do crime.

Marcelo, Diango e Leandro foram presos na terça-feira (20/12), em Goiânia. Assad foi preso na tarde de segunda-feira (19/12) em Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai, onde morava com o pai e um tio. Integrantes do Serviço de Inteligência da Polícia Civil vinham monitorando o acusado com policiais à paizana e interceptações telefônicas. No áudio, Assad diz que só viria para Goiânia morto. A polícia afirma ainda que ele manobrava armas enquanto falava ao telefone. A abordagem aconteceu de forma rápida e o suspeito não teve tempo para reagir. Nas conversas interceptadas, a polícia descobriu que ele se comunicava com presos do Compexo Prisional, antigo Cepaigo. As negociações giravam em tornos de fuzis AR15 e .50.

Leandro, Marcelo e Assad ao serem encaminhados por Policiais Civis do GT3 para apresentação à imprensa

 Entenda o  crime

Leandro é proprietário da loja Batidos.com no Jardim Ana Lúcia, em Goiânia. Ele teria “encomendado” um veículo Chevrolet Prisma Max na cor preta (modelo completo)  para Diango, dono da oficina Centro Automotivo Diango no Barirro Goiá. Lá ele modificava os carros roubados com a troca das placas e dos chassis.

Para conseguir o carro, Diango entrou em contato com Assad, Marcelo, Lavonierri da Silva Neiva, 24 anos, morto em dezembro de 2009 em uma suposta troca de tiros com policiais militares, e Deberson Ferreira Leandro, 27 anos, também morto em fevereiro de 2010 em um suposto ataque na Cidade Jardim.

A publicitária saiu na manhã do dia 23 de setembro de 2009 dirigindo um veículo do modelo “encomendado”. Ela iria ministrar uma palestra na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC), mas foi rendida por Marcelo, Assad, Lavonierri e Deberson. Depois de render Pollyanna, Assad e Lavonierri teriam a estuprado e espancado. Os sete tiros que mataram a jovem saíram da arma de Assad. O bando ligou para Diango que recusou o veículo pelo fato de, naquele momento, existir um assassinato envolvido com o assalto. “Ele sabia que a polícia iria investigar o caso”, pontuou o delegado adjunto da Delegacia de Homicídios, Delegacia de Homicídios, Cleyton Alencar.

Diango Gomes e Leandro Garcez: no camburão da Polícia Civil

 O veículo foi abandonado e a quadrilha fugiu em um Clio prata, onde estavam Marcelo e Deberson, que esperavam pelos companheiros. O Prisma foi encontrado na mesma manhã, parcialmente queimado, no Residencial Caraíbas, com a bolsa e os documentos da publicitária. Depois de abandonar o carro, o grupo, exceto Marcelo, roubou outro veículo do mesmo modelo na Cidade Jardim, em Goiânia.

 Investigações

O suposto envolvimento de um policial no crime foi cogitado no início das investigações, mas segundo Adriana, a possibilidade já foi descartada. “Deberson era muito amigo de alguns policiais e muita gente achava que ele era um deles. Por isso a suspeita do envolvimento da polícia. É importante lembrar que, mesmo se houvesse uma participação deste tipo, a investigação seria feita com o mesmo empenho. A justiça é para todos”, explicou.

Sobre a demora nas investigações, o delegado adjunto da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (DENARC), Odair José, explica que a complexidade natural do caso, a tentativa em apagar as provas com a queima parcial do veículo e a existência de alguns óbitos foram barreiras difíceis de serem atravessadas. “Essa rede de carros roubados é uma preocupação forte do secretário João Furtado e toda a polícia do Estado está trabalhando de maneira árdua nestes casos”, disse.

Policiais Civis do Grupo Tático 3 (GT3) fazendo a segurança dos presos Leandro e Diango

Diango será investigado também pela modificação dos veículos. A polícia suspeita de envolvimento de funcionários do Detran, órgão que emite a documentação dos carros. “O carro sofre baixa, ou na linguagem da polícia “morre”, depois, por meio de corrupção, ele “ressucita”, tendo o documento, placa e chasis alterados. É um novo carro”, contou Odair.

Todos os acusados negam participação no crime. “Só conhecia o Lavonierri porque minha namorada era amiga da mulher dele”, contou Marcelo. Já Assad, afirma que a polícia precisava de um culpado e que o bando teria sido escolhido de maneira aleatória. “Eu tenho uma filha, tenho família, jamais faria uma coisa dessa. Já fiz muita coisa errada, mas não participei do caso da Polyanna. Não conheço ninguém que está aqui. Saí de Goiânia para não morrer, porque é bem da cara da polícia matar. Está todo mundo cansado deste caso e eles precisam de um culpado. As interceptações foram armadas, forjadas! As provas precisam ser analisadas com mais cuidado”, explicou.

Os advogados de Assad, Alessandra Nardin, Diogo Lima e Danilo Rios alegaram que, até o momento, não conseguiram falar com os delegados responsáveis e não tiveram acesso aos inquéritos. Em resposta, a delegada-geral alegou que as provas só são liberadas depois que o caso é concluído. “Este crime é um dos crimes mais crúeis e bárbaros que aconteceram em Goiás. Era uma questão de honra para a PC solucioná-lo de uma forma verdadeira, para que a família e a socieadade tivessem paz. Com certeza teremos a condenação exemplar destes criminosos”, finalizou.

Fonte: Site A Redação
Texto: Michelle Rabelo
Fotos: Adalberto Ruchelle