Polícia Civil conclui investigação. Tráfico é a causa da Chacina do Morro do Mendanha

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gráfico
O Popular mostra a investigação da Polícia Civil

Envolvimento fatal com o tráfico

[symple_highlight color=”blue”]Chacina no Morro do Mendanha teria sido cometida por membros de perigosa quadrilha com atuação na divisa entre Trindade e Goiânia[/symple_highlight]

Sinara Monteiro da Costa, de 16 anos, Rayane Kelly Silva, de 15, Mylleide Morgana Lagário de Lima Borba, de 19, e Ana Kelly Martins Cardoso, de 19, pagaram com a própria vida por se envolverem com integrantes de uma perigosa quadrilha de tráfico de drogas baseada em Trindade, na região metropolitana de Goiânia. As quatro amigas foram assassinadas na madrugada de 8 de março deste ano no Morro do Mendanha, na capital, Dia Internacional da Mulher. São suspeitos do crime Paulo Henrique do Carmo Silva, o “Dioclim”, e dois adolescentes de 17 anos.

Ontem (25.03), delegados da Polícia Civil envolvidos na investigação detalharam porque as quatro jovens receberam os disparos fatais no episódio que ficou conhecido como Chacina do Morro do Mendanha. Dois dos acusados foram presos no dia 20, em Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal. Apenas um adolescente permanece foragido.

A elucidação do caso foi possível a partir da primeira grande investigação dos Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) e Grupo Especial de Repressão a Narcóticos (Genarc) de Trindade, criados no início de fevereiro. Coordenador de ambos, o delegado Douglas Pedrosa explicou que 80% dos homicídios do município têm ligação com o tráfico de drogas, em especial na região conhecida como Trindade 2. O ponto de partida para a investigação foi o assassinato em 29 de janeiro, dentro do presídio local, de Romerson Jorge da Silva, considerado o chefe do tráfico nos bairros que compõem Trindade 2.

A Polícia Civil explicou que Romerson teria sido morto por determinação de Wagner João Dias da Silva, um traficante rival conhecido como “Jão”. A partir daí, Wagner João assumiu o controle do tráfico e teria aliciado pelo menos seis pessoas, entre eles os dois adolescentes e Paulo Henrique, o “Dioclim”, que mais tarde participariam da Chacina do Morro do Mendanha. Teve início, então, uma guerra entre a quadrilha de Wagner João e os integrantes que restaram do grupo de Romerson, como Regina, sua viúva e gerente do tráfico.

Em seguida, já controlando algumas bocas de fumo em Trindade 2, os dois menores e Paulo Henrique deixaram a quadrilha de Wagner João. Até esse ponto, as investigações foram conduzidas pelo delegado Douglas Pedrosa. Com a chacina, entrou em cena o trabalho da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH) de Goiânia.

                                                                            A chacina

As investigações da chacina, conduzidas pelo delegado Maurício Massanobu Kai, da DIH, mostram que Sinara, que estava namorando um dos adolescentes, era ex-companheira de um rapaz conhecido por Rafael Galinha, integrante da quadrilha de Wagner João, com quem teve um filho. Rayane namorava o outro adolescente, mas Mylleide e Ana Kelly não tinham nenhum relacionamento com os traficantes. Todas, segundo a polícia eram usuárias, mas não tinham passagem pela polícia, não eram prostitutas nem traficavam. Ana Kelly tinha chegado recentemente do Tocantins. Todos, acusados e vítimas, viviam na região conhecida como Trindade 2.

                                                                         Telefone

Maurício Kai afirmou que a motivação mais forte para o assassinato das jovens foi um possível contato telefônico entre Rayane e um policial militar de Trindade. Dias antes, os dois adolescentes foram abordados por PMs e ouviram deles que “umas meninas tinham dedurado eles”. Como as jovens costumavam frequentar as residências dos acusados, dias depois um deles pegou o celular de Rayane para ouvir música. Nesse momento chegou uma mensagem que não tinha nada demais, entretanto o rapaz acessou a caixa e leu o recado de uma pessoa que pedia para Rayane ligar. A resposta dela é que não podia por estar em local inadequado e com pessoas inadequadas. No dia seguinte o jovem ligou para o número e atendeu o policial militar. Este fato foi determinante na morte das jovens.

Local onde as quatro jovens foram assassinadas
Local onde as quatro jovens foram assassinadas

Na noite da chacina, os dois adolescentes e Paulo Henrique, acompanhado das mulheres, passaram numa boate que fica próxima à passarela da GO-040, que dá acesso a Trindade. À polícia, Paulo Henrique e o adolescentes, presos em Novo Gama, detalharam que depois de perfilar as quatro garotas, diante da indagação de porque estavam no Morro do Mendanha, eles responderam que lá era “o local de quem dava pisada” e explicaram porque elas morreriam antes dos tiros fatais. Todas receberam um disparo na cabeça, menos Rayane, que recebeu dois tiros.

Segundo Douglas Pedrosa, chama a atenção a frieza dos integrantes dos grupos investigados. “Eles têm total desapego à vida, a deles e a dos outros. Isso torna tudo mais perigoso”, afirmou o policial. O coordenador do GIH de Trindade disse ainda que nos 40 dias que duraram a investigação, os envolvidos na chacina participaram de pelo menos 11 crimes contra a vida com provas de autoria e de materialidade entre Goiânia e Trindade. “Qualquer tempo que a gente consiga de segregação estamos preservando vidas do lado de fora”, completou.

Fonte: O Popular
Texto: Malu Longo
Foto: Diomício Gomes