Pirâmide: Polícia Civil finaliza ação contra prática que lesou consumidores em Inhumas

782
inhumas
Carijó exibe um de sus bens

A equipe da Polícia Civil de Inhumas, chefiada pelo delegado Humberto Teófilo de Menezes Neto, finalizou, no dia 3 de junho, a operação Bystanders, que apurou esquema de golpe da compra premiada na empresa Eletromotos e suspendeu as atividades da empresa Realiza, situadas naquela cidade.

Conforme lembra o delegado, a operação durou mais de 30 dias, com cumprimento de mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, quebras de sigilos bancários e fiscais. O termo Bystanders, usado para batizar a ação policial, é utilizado como referência aos consumidores atingidos pelo golpe da compra premiada.

Ao todo, 14 pessoas foram indiciadas por envolvimento no golpe praticado pela empresa Eletromotos, cujas operações foram investigadas por um ano e meio. Segundo a polícia, o golpe atingiu cerca de 350 pessoas e um prejuízo na ordem de R$ 3 milhões.

O esquema
As “compras premiadas” consistem em operações em que empresas atraem consumidores, com a promessa de adquirir um bem móvel, como motocicletas, a partir da formação de grupos. Cada participante paga parcelas mensais e concorre, em sorteios, pelo bem objeto do contrato.

Quando sorteado, o contemplado estaria desobrigado de pagar as demais parcelas e outro consumidor seria inserido no grupo. Segundo o delegado Humberto Teófilo, essas operações não apresentam viabilidade financeira e a exigência de substituição da pessoa contemplada por outro consumidor caracteriza a fraude conhecida como “pirâmide”.

No caso de Inhumas, o golpe funcionava da seguinte forma: os membros da organização criminosa fundaram uma empresa (Eletromotos) de consórcio informal, a fim de angariar consumidores. Com o acúmulo de finalizações de contratos de consórcios, as atividades da loja eram simplesmente encerradas.

De acordo com a Polícia Civil, os recursos auferidos com a prática criminosa (estelionato) eram depositados em contas dos membros e lavados com a aquisição de bens, móveis, imóveis, semoventes e constituição de novas empresas, fraudulentas ou não.

As investigações revelam que o golpe teve início na cidade de Inhumas, em 2007, e perdurou até meados de dezembro de 2013. Nesse período, a polícia deparou-se com a existência na região metropolitana de Goiânia (Inhumas, Goianira, Caturaí, Itaberaí, Damolândia) de uma verdadeira organização criminosa.

O dinheiro arrecadado ilicitamente era utilizado pelos integrantes do grupo para a aquisição de inúmeros bens, a maioria em nome de “laranjas”. Outro montante seria aplicado na capital, em outros negócios aparentemente lícitos.

Os envolvidos
O delegado Humberto Teófilo explica que o principal líder da organização criminosa, no caso da Eletromotos, foi Valdemilson Vila Verde, conhecido como “Carijó”. De acordo com as investigações, em um segundo momento, a liderança do grupo foi transferida para Rommel Bonfim dos Reis.

Os demais integrantes da associação criminosa pertenceriam ao grupo familiar dos referidos líderes do esquema. Alguns integrantes da associação criminosa chegaram a promover, em 2012, alterações no contrato da empresa, ao preverem que o esquema estava sob risco, sendo, inclusive, foco de inúmeras demandas judiciais.

De acordo com a polícia, todas as alterações contratuais e a dissolução formal da empresa foram intercedidas pelo contador Miguel Rodrigues de Almeida, também indiciado nos autos. Mesmo diante do “fechamento” da Eletromotos e de inúmeras ações judiciais em tramitação no Poder Judiciário contra a loja, as portas do estabelecimento continuaram abertas, no intuito de não provocar escândalo na sociedade. Enquanto isso, novas vítimas continuavam sendo feitas.

Uma parte do dinheiro arrecadado com o crime foi incorporada em outra empresa fraudulenta, denominada Mega Motos, localizada na cidade de Itaberaí, tendo como sócias, a esposa (Maria de Lourdes Coimbra Neta) e a cunhada do indiciado Rommel Bonfim dos Reis, o qual é o real proprietário da citada loja.

inhumas2
Fachada da loja Realiza

Os recursos também foram aplicados na empresa Transporte Goiabeiras, localizada em Goiânia e de propriedade de João Gonçalves Pires (tio de Carijó), para a compra de alguns caminhões modelo Volvo. A Polícia Civil conseguiu esclarecer todo o vultoso patrimônio da organização criminosa. Foram sequestrados 15 imóveis, 17 veículos, uma canoa, um motor de popa, 13 pedras de esmeraldas, um notebook, duas embarcações aquáticas, além do dinheiro depositado nas contas bancárias dos membros da organização.

A operação também culminou, a pedido da Policia Civil de Inhumas, com a suspensão das atividades econômicas da empresa Realiza, que utilizava o mesmo golpe da Eletromotos. A investigação acerca da sociedade empresaria Realiza resultou no indiciamento de mais quatro pessoas pelos crimes contra a economia popular, publicidade enganosa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Texto: Flávia Guerra – Assessoria de Imprensa da Polícia Civil
Fotos: Polícia Civil / Inhumas