DEIC prende grupo que fraudava saques de precatórios liderado por advogado

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Última atualização: 23 de junho de 2015 às 10:35 am

quadrilha
Grupo suspeito das fraudes em saques de precatórios

Um dos membros era uma  idosa de 77 anos
que se passava
pela beneficiária. Quadrilha
 falsificava documentos e havia tentado sacar R$ 64 mil

A Polícia Civil apresentou na manhã desta quarta-feira (17) uma quadrilha suspeita de fraudar saques de precatórios em Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana da capital. Um advogado, de 36 anos, natural de São Paulo, é apontado como o responsável por chefiar o grupo, que tinha outras três pessoas, entre elas, uma idosa de 77 anos.

Segundo a polícia, o grupo falsificava documentos para tentar sacar o dinheiro destinado a alguns beneficiários que haviam ganhado ações judiciais contra o poder público, os chamados precatórios.

A idosa e outros dois suspeitos, de 31 e 53 anos, foram presos na tarde de terça-feira (16), quando saíam de uma agência em Aparecida de Goiânia.  após tentar sacar R$ 35 mil de precatório. O advogado foi preso próximo à sua residência na Vila São João, em Goiânia, horas mais tarde.

 

De acordo com informações da polícia, o próprio banco, que já contabilizou resgates fraudulentos, informou o Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (Gref), que já conduzia investigações sobre alguns casos. Com os suspeitos foram apreendidos documentos e comprovantes de endereço falsos.

                                                                         Fraude

A delegada chefe do Gref, ligado à Delegacia de Investigação Criminal (Deic), Mayana Rezende, explicou que para cometer essa fraude é preciso ter informações privilegiadas de beneficiários, documentos falsos e alguém que se passe pelo favorecido, que neste caso, era a idosa.

“O advogado tinha informações de beneficiários do Pará que já haviam falecido. Outro suspeito era o responsável pela falsificação dos documentos. O terceiro envolvido, que já havia sido cliente do advogado, foi chamado por ele para encontrar uma senhora que pudesse se passar pela beneficiária e então ele chamou a própria mãe para participar”, afirmou a delegada.

Documentos apreendidos em poder do grupo
Documentos apreendidos em poder do grupo

Segundo a delegada, em depoimento, a idosa afirmou que sabia que estava se passando por outra pessoa e que receberia uma quantia em dinheiro por isso, mas que não entendia como funcionava a fraude.

A Polícia Civil informou que, em depoimento, os demais membros disseram que o advogado prometia 10% do valor sacado para cada um e as investigações apontam que o restante era debitado em uma conta do advogado com nome falso.

Ainda segundo Rezende, as versões de três suspeitos apontam o advogado como líder do grupo. No entanto, o ele negou participar da fraude e disse que havia apenas fornecido as informações. O homem tem uma passagem por receptação, outra por estelionato e duas por apropriação indébita (posse de algo móvel que não lhe pertence).

A delegada confirmou que o advogado e um dos suspeitos já haviam conseguido sacar R$ 66 mil com dois precatórios, mas não foi confirmada a participação dos outros dois membros nesses saques.

“Os quatro detidos tentaram realizar um saque de R$ 29 mil, mas não conseguiram e a última tentativa foi um saque de R$ 35 mil, também sem sucesso, momentos antes de serem detidos”, explicou a delegada. Os suspeitos devem ser indiciados por tentativa de estelionato, uso de documento falso e associação criminosa.

 

Fonte: G1 / GO
Texto: Vanessa Martins