Dema indicia fazendeiros e dono de mineradora por prática de crimes ambientais em Cristalina

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Assoreamento constatado pela Polícia Civil no Córrego dos Bugres

Polícia Civil flagrou plantações em área de preservação permanente e constatou existência de danos causados por antigos garimpos de cristal

Plantações em áreas de preservação permanente, como matas ciliares e nascentes, extração irregular de areia e não recuperação de danos causados por antigos garimpos de cristal estão provocando o assoreamento do Córrego dos Bugres e de afluentes, como os Córregos Criminoso 1 e 2, em Cristalina. A situação, que configura vários crimes ambientais, foi flagrada por policiais civis da Delegacia Estadual de Meio Ambiente (Dema). O delegado Luziano Carvalho indiciou três pessoas, mas diz que o trabalho da polícia no local ainda não terminou.

“Cristalina é o município que concentra as maiores voçorocas do Brasil, a maioria provocada por garimpos antigos, que foram desativados sem que houvesse reparação dos danos causados”, alerta o delegado. Ele diz que agora concentrará os trabalhos na recuperação das bacias degradadas, especialmente na recuperação das matas ciliares. Os danos ambientais serão calculados para que os responsáveis sejam acionados para as compensações previstas em lei. “A Polícia Civil está preocupada também com ações de prevenção”, diz o delegado.

Denúncia deu origem à apuração

Foram indiciados no inquérito policial os produtores rurais Geraldo Onzi, de 61 anos, e Nilson Fogolin, de 65, e o proprietário de uma mineradora, Eduardo Fernandes, de 50. Todos vão responder com base na Lei 9.605, a Lei de Crimes Ambientais. Segundo o delegado Luziano Carvalho, titular da Delegacia Estadual do Meio Ambiente, as investigações começaram a partir de uma denúncia feita por Onzi, de que a represa de sua propriedade – ele represa o Córrego dos Bugres – estava ficando assoreada. Com a investigação no local, a Polícia Civil apurou que havia irregularidades na mineradora JDC, de Eduardo, embora ela tenha licença ambiental.

Delegado Luziano Carvalho

De acordo com o delegado, mesmo com a licença, a JDC não adotou as melhores técnicas de extração de areia, que estava escorrendo para o manancial, contribuindo para o assoreamento do córrego. “Ele também estava extraindo areia do Córrego Criminoso 2 sem licença”, relatou o delegado. “É crime explorar pedras sem licença, bem como deixar de recuperar uma área explorada.”

Produtor usa dreno ilegalmente

Nilson Fogolin é proprietário de uma área entre os córregos Criminoso 1 e 2, onde planta soja. Além de não recuperar uma área degradada pela lavoura de soja, o produtor rural é acusado de um dano que o delegado considera gravíssimo: o uso ilegal de dreno. “Ele abriu um rasgo, um buraco no chão, provocando rebaixamento do lençol freático e assoreamento”, descreve.

Sobre a reclamação de Geraldo Onzi, que deu origem à investigação, a polícia constatou que as denúncias são procedentes, como sugere o avançado processo erosivo na bacia do Córrego dos Bugres, mas ele também acabou indiciado por plantio de culturas irrigadas em área de preservação permanente, no caso, as margens do Córrego Criminoso 1. “Ele plantou milho irrigado em área de preservação permanente e perto da represa, extraiu mineral e não recuperou a área degradada.” Luziano Carvalho adianta que há outras nove mineradoras com indícios de irregularidades.

 

Texto: Carla Borges
Fonte: O Popular
Fotos: Polícia Civil