Polícia Civil: Denarc prende quadrilha que movimentava R$ 2 milhões por mês com o tráfico

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Armamento de grosso calibre apreendido com traficantes

Fuzis israelenses, metralhadoras americanas, pistolas de uso exclusivo das forças de Segurança Pública. No total, eram 14 armas de alto potencial letal, sendo que apenas uma, de calibre 380 tem uso permitido no Brasil, além mais de mil munições, e centenas de quilos de pasta-base de cocaína.

Tudo isso foi flagrado na terça-feira, em um apartamento residencial no Parque Amazonas (as drogas) e em outro na Vila Rosa (as armas) e pertenciam a uma única quadrilha, que foi desbaratada pela Polícia Civil nesta semana. O material foi apresentado ontem (20.01) à imprensa.

O grupo comercializa cerca de 200 quilos de pasta-base da droga por mês, segundo a Polícia Civil, com movimentação financeira que gira em torno de R$ 2 milhões mensais a partir da venda de pasta-base no varejo para 42 pontos de comercialização de drogas de Goiânia e de Aparecida de Goiânia.

Esse é o resultado da Operação Poderoso Chefão, desencadeada pela Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc). A quadrilha, comandada pelo traficante e homicida André Luiz Oliveira Lima, o João, de 33 anos, é investigada desde agosto do ano passado, quando ainda era comandada por ele de dentro da Penitenciária Odenir Guimarães (POG), no Complexo Prisional de Aparerecida de Goiânia, onde também era um dos líderes de uma das alas e dono de uma cantina.

André Luiz controlava a movimentação da quadrilha de dentro da cadeia por telefone, repassando as ordens para a esposa Renata da Silva Leão, de 29, que era responsável pela parte contábil e pela lavagem de dinheiro da quadrilha. Em novembro do ano passado ele passou do regime fechado para o semiaberto, de onde fugiu e passou a comandar de perto a quadrilha. Bem organizado, o grupo de André Luiz, tinha em Sthephan de Souza Vieira, o BH, de 29, o homem de confiança e gerente.

A droga era encomendada por André Luiz e entregue a Sthephan, que a repassava para o químico da quadrilha, Jander Jhones da Silva Arcanjo, de 29, que tinha Jefferson Alves Borges, de 25, como auxiliar. Os dois eram os responsáveis pelo refino da droga.

Os dois ainda faziam o recebimento da venda da droga e faziam o repasse a Sthephan, que fazia o acerto com André Luiz. A quadrilha foi descoberta a partir de uma investigação da Denarc que tinha como alvo os traficantes que abasteciam parte dos traficantes de Senador Canedo, Aparecida de Goiânia e Goiânia.

Na terça-feira, quando a polícia já tinha em mãos os mandados de prisão das cinco pessoas, uma operação foi desencadeada na capital. No apartamento do pai de Jefferson, no Parque Amazônia, a Denarc apreendeu os 232 quilos de pasta-base de cocaína, insumos e outros materiais e objetos usados no refino da droga.

No apartamento de Sthephan, na Vila Rosa, os policiais ficaram surpresos com a quantidade de armamento pesado que a quadrilha possuía. Atrás de uma estante, enfileiradas de acordo com o tipo de arma foram encontrados o fuzil, as submetralhadoras, as pistolas, as munições e duas espadas.

“O armamento pesado é para demonstrar o poder da quadrilha em relação às demais, o que nos faz acreditar que em Goiânia esteja em circulação armas do mesmo tipo por integrantes das quadrilhas rivais”, comentou o delegado Odair José Soares, titular da Denarc.(Texto: Rosana Melo)

                                                           Grupo alugava armas para ladrões

Texto: Rosana Melo

Além de usar as armas para executar traficantes em disputa por território, a quadrilha detida pela Polícia Civil nesta semana também as vendia e alugava. Segundo o delegado Odair José, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), o aluguel não tem um preço fixo. “Eles fecham por uma porcentagem do roubo, já que o aluguel é feito geralmente a quadrilhas de roubo de bancos.”

As 14 armas e a munição apreendidas com a quadrilha foram encaminhadas ao Instituto de Criminalística onde será feito exame de eficiência de arma de fogo. A partir do exame delas, a polícia vai tentar identificar vítimas de homicídio na capital e em cidades próximas.

A Polícia Civil apreendeu um Azera, de André Luiz; um Cruze, da esposa dele; um Santa Fé, de Sthephan, e um Spacefox de Jander.

As investigações coordenadas pelo delegado Vinívius Ney Barbosa, adjunto da Denarc, apontam que a quadrilha abastecia 42 bocas de fumo no Parque Amazônia, Setor Sudoeste, Vila Rosa, Setor Faiçalville e Vila Boa, em Goiânia, e Vila Brasília, Setor Maria Inez, Jardim Imperial, Jardim Montserrat e Vila Mariana, em Aparecida.

Sthephan, Jander e Jefferson foram presos por tráfico, posse de objetos destinados a preparação e transformação de drogas, além de associação para tráfico e por integrar organização criminosa. Sthephan responde por posse de munições e armamentos de uso proibido.

André foi preso pelos mesmos crimes de Sthephan, mais os de lavagem de dinheiro e promover organização criminosa. Renata foi presa por associação para tráfico, lavagem de dinheiro e por participar de organização criminosa.

                                                          Traficante tinha “cantina” em presídio

Texto: Gabriela Lima

O suspeito de comandar a quadrilha de tráfico de drogas presa na Operação Poderoso Chefão, da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), também exerceu liderança dentro da Penitenciária Coronel Odenir Guimarães (POG), no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia.

Cocaína e armas apreendidas – Foto: Zurahir Mohamad

De acordo com fontes da Polícia Civil, André Luiz Oliveira Lima, de 33 anos, tinha uma cantina paralela na ala onde esteve preso por mais de três anos e, após fugir, foi flagrado em escutas telefônicas vendendo o “ponto” a outro detento por R$ 120 mil. Condenado por tráfico de drogas e homicídio, André deu entrada na POG em maio de 2010. Segundo a investigação, ele comprava comida na cantina oficial do presídio, estocava e revendia aos presos de sua ala, onde era temido e ditava regras.

Ao conseguir passar para o semiaberto, também vendeu, por R$ 5 mil, uma barraca que mantinha no regime fechado, do lado de fora da cela.

André ganhou progressão de pena da Justiça em novembro do ano passado. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária e Justiça (Sapejus), uma semana depois do benefício, ele saiu do semiaberto e não retornou.

                                                               Direção nega liderança em ala da POG

Texto: Gabtriela Lima

O diretor da Penitenciária Odenir Guimarães (POG), Marcos Vinícius Alves, negou ao POPULAR que André Luís Oliveira Lima tenha comandado a venda de comidas no presídio. Segundo ele, a única cantina da penitenciária fica na parte externa das alas, ao lado da enfermaria, e é administrada por uma pessoa que venceu uma licitação em 2010. Marcos Vinícius também nega que o traficante tenha liderado a ala quando esteve preso. “A administração não reconhece nenhum tipo de comando ou liderança dentro da penitenciária. Não existe isso lá dentro. Não existe isso completamente comprovado.”

Em relação às supostas escutas telefônicas de André negociando a venda da cantina e da barraca, o diretor minimiza: “Qualquer um fala o que quiser por telefone”.

O diretor explicou a progressão de pena conquistada por André, que acabou possibilitando a fuga do condenado por dois crimes hediondos. “A lei possibilita isso. Quando o reeducando cumpre, nesse caso, até dois quintos da pena e, se ele tiver bom comportamento, a Justiça não tem como segurar.”

Fonte: O Popular
Foto (destaque): G1