Delegacia de Homicídios conclui investigação sobres mortes encomendadas via WhatsApp

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Railson e Karoline em foto apreendida pela Polícia Cvil

Preso por roubo qualificado e
formação de quadrilha, jovem
de 22 anos é suspeito de 4 mortes

Railson Coelho Delfino de Souza, de 22 anos, preso e condenado pelos crimes de roubo qualificado e formação de quadrilha em Goiânia e duplo homicídio em Aparecida de Goiânia, é condenado a mais de 50 anos de prisão. Ele também confessou ter mandado matar duas ex-namoradas, uma de 17 anos, em 2011, e outra, de 21, no dia 14 de abril deste ano.

O motivo de todas as mortes encomendadas por ele foi o mesmo: ciúme. A Polícia Civil descobriu que, pelo menos no último assassinato, Railson encomendou a morte da namorada pelo aplicativo WhatsApp e confessou o crime para uma pessoa com quem conversava frequentemente.

A transcrição do diálogo de Railson com a pessoa faz parte do inquérito que apura a morte de Karoline Alves Clemente. O POPULAR teve acesso exclusivo a ele. São dois laudos em que Railson confessa o crime contra Karoline, a quem acusa de traição. O celular dele foi apreendido no dia 3 de maio, em operação desencadeada com o apoio do Sistema Prisional, em cumprimento a mandado de busca e apreensão em 10 celas, determinado pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara Criminal. “Pedi a busca em 10 celas porque já sabemos que em operações assim eles vão passando celulares e drogas de uma cela a outra. Nossa estratégia deu certo”, contou o delegado Valdemir Pereira de Souza, adjunto da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH).

Ao periciar o celular, a Polícia Técnico Científica comprovou os diálogos em que ele confessava o assassinato de Karoline, mas também achou fotografia dela morta. A foto teria sido enviada pelo WhatsApp pelos executores da jovem, Bruniel SilvaVieira da Costa e um adolescente de 17 anos. O crime aconteceu no fim da tarde de 12 de abril, na Rua Manoel Líbano, no Solange Park, em Goiânia. Karoline foi morta a tiros. Os autores receberiam R$ 1,5 mil de Railson, que não quitou a dívida, segundo o delegado

Na conversa pelo aplicativo de celular, ele disse que Karoline não queria mais se relacionar com ele, o que teria motivado o crime (veja quadro ao lado). Ela não apareceu para visitar o namorado de manhã. De tarde ela foi morta. “Logo no início da investigação descobrimos que ela namorava esse preso e que havia sido ameaçada por ele. Ela tinha comentado com amigas que Railson tinha mandado mensagens a ameaçando”, disse o delegado.

Sem testemunhas que pudessem dar informações sobre o crime – as que presenciaram a execução se recusaram a prestar depoimento – o crime foi esclarecido a partir da transcrição das conversas de Railson com a apreensão do celular dele.

Foram indiciados pela morte de Karoline Erick Barbosa Alves, que roubou um carro usado pelo bando no dia do crime, Bruniel Silva Vieira da Vosta, que a executou a tiros junto com um adolescente de 17 anos. Outros três adolescentes estavam no carro e devem ser indiciados em investigação da Delegacia de Apuração de Atos Infracionais (Depai) após a conclusão dos autos pela DIH.

Railson foi preso em flagrante em abril de 2011, depois de matar Wollney Tavares dos Santos e Fábio Siqueira Drumon, ambos de 24 anos, no Setor Garavelo Park, em Aparecida de Goiânia. Ele confessou a morte deles na época e disse que Wollney foi morto por engano. “Era meu amigo”. Fábio era o alvo e teria se relacionado com a namorada dele enquanto ele esteve preso por roubo.

Ele teria matado Fábio por ciúmes da namorada dele, a adolescente Natália Morgana Machado, de 17 anos. Ela teria ficado com Fábio quando Railson estava preso por roubo. Isso também custou a vida da adolescente. Ela foi executada com três tiros no rosto, na porta do Residencial Eldorado, onde morava.

                                                              Testemunha disse que vítima temia morrer

Uma testemunha que não teve o nome divulgado pela Polícia Civil foi a chave para que Railson Coelho Delfino de Souza confessasse ter mandado matar a namorada Karoline Alves Clemente. Ela detalhou que a jovem temia ser morta por ele.

Karoline teria ligado para uma amiga, segundo a testemunha, dizendo que Railson a teria ameaçado. Em conversa no aplicativo WhatsApp, Railson disse que era Karoline quem havia brigado com ele, dizendo que iria falar sobre os crimes dele para que fosse transferido ao Núcleo de Custódia, onde ficaria incomunicável.

Em outro trecho da conversa, o preso diz que está se sentindo sozinho e que tem de arrumar uma companheira. Pede para que a testemunha arrume alguém para ele e ela diz que, por ela, o preso ficaria sozinho. “As duas amigas minha que passou na sua mão hoje só me resta lembrança e faixas e saudade (sic)”. Railson tenta justificar os crimes alegando que elas o teriam traído, mas a testemunha diz que ele poderia ter se afastado.

“Só a morte mesmo pra separar nois 2 (sic)”, responde o preso em uma das transcrições da conversa pelo WhatsApp. O aplicativo foi usado também para encomendar as mortes das mulheres. No caso de Karoline, em que ofereceu R$ 1,5 mil aos executores, foi pelo aplicativo que Railson ficou sabendo que o “serviço” tinha sido feito. Os autores fotografaram a vítima morta e enviaram a imagem ao mandante.

Pelo modo de agir, a polícia acredita que imagens de outra mulher morta encontradas no celular de Railson são de mais uma vítima dele. Mas até ontem a polícia não sabia quem era ela nem tinha informações sobre sua morte.

                                                                 Preso foi ouvido ontem na DIH

Railson Coelho Delfino de Souza foi ouvido ontem à tarde na Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), no inquérito sobre a morte da namorada dele, Karoline Alves Clemente, em abril deste ano, no Solange Park, em Goiânia. O rapaz de 22 anos foi trazido da Penitenciária Odenir Guimarães (POG), no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, para ser ouvido na DIH pelo delegado Valdemir Pereira da Silva.

Entre os questionamentos feitos estão a identidade de uma mulher jovem cujas fotos em um hospital e depois em um caixão foram encontradas no celular dele. Railson, que é suspeito de matar duas namoradas que o traíram, Karoline e Natália Morgana Machado (veja matéria acima), pode ter matado mais uma mulher. Ao ser ouvido em maio deste ano na POG, ele se recusou a falar com o delegado Valdemir Pereira da Silva.

Fonte: O Popular
Texto: Rosana Melo