Polícia Civil: GIH, de Aparecida de Goiânia, conclui investigação da Chacina da Serra das Areias

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Taygo Santana: Principal suspeito da chacina  da Serra das Areias / Foto: Paula Rezenda (G1)

O delegado Rogério Moreira Bicalho Filho, do Grupo de Investigações de Homicídios (GIH), de Aparecida de Goiânia, encaminhou à Justiça o inquérito sobre a chacina no Parque Ambiental da Serra das Areias, na qual quatro jovens foram mortos. Na conclusão dos autos, a adolescente de 15 anos, que desde o início das investigações era tratada como testemunha do crime, é apontada pela Polícia Civil como executora de uma das vítimas.

No depoimento ao delegado, ela confessou que matou, com um tiro na cabeça, Dênis Pereira dos Santos, de 15 anos. Revelou, ainda, que cometeu o assassinato porque foi coagida pelo namorado, Taygo Henrique Alves Santana, de 18 anos.

As vítimas da chacina – Neylor Henrique Gomes Carneiro, de 18 anos, Dênis Pereira dos Santos, Rayssa Sousa Ferreira e Daniele Gomes da Silva, ambas de 16 anos – foram executadas com tiros na cabeça no dia 19 de agosto. No inquérito, com mais de 500 páginas, Taygo Santana e o comparsa, Allyson Pereira Costa e Silva, de 19 anos, conhecido como Blimblim, são indiciados pelos quatro homicídios duplamente qualificados, destruição de cadáver, formação de quadrilha armada e corrupção de menores.

Ao encaminhar os autos para a 4ª Vara Criminal de Aparecida de Goiânia, Rogério Bicalho requereu a conversão da prisão temporária de Taygo Santana e Allyson Silva em prisão preventiva. Os dois estão presos na Casa de Prisão Provisória, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. O delegado ponderou que ambos têm longa ficha criminal e não têm emprego nem residência fixa. Caso fiquem soltos, avalia, podem fugir ou cometer outros crimes.

                                                       Mortes

Além de Taygo Santana e Allyson Silva, são apontados como autores da chacina a garota de 15 anos e um adolescente de 16. No desenrolar das investigações, o delegado chegou à conclusão de que cada um matou uma das vítimas. Na ocasião, todas foram obrigadas a ficar ajoelhadas e de costas para os autores.

A trama que resultou na série de assassinatos teria sido motivada pela postagem de uma mensagem na rede social por Neylor Carneiro. Nesta mensagem, o rapaz teria feito referências à namorada de Taygo Santana, deixando-o enfurecido. Com o propósito de se vingar, Taygo Santana teria tramado a morte de Neylor Carneiro. No depoimento ao delegado, a garota revelou que na manhã de 19 de agosto Taygo Santana telefonou-lhe dizendo que pretendia encontrar-se com Neylor. O namorado, conforme a garota, estava em um carro na companhia do adolescente. Ambos, segundo disse o delegado, estavam armados de revólveres calibre 38.

Delegado Rogério Bicalho, do GIH  /  Foto: Diomício Gomes (O Popular)

A garota afirmou que não sabia onde era a casa de Neylor. Por isso, dirigiu-se com os dois até a residência de Rayssa, para que ela os levassem ao imóvel.

Rayssa estava na companhia de Daniele. O grupo dirigiu-se até a casa de Neylor, que estava acompanhado de Dênis Santos. Todos foram levados no carro para a Serra das Areias, onde aconteceram as execuções.

Em seu depoimento, a adolescente afirmou ao delegado que durante o trajeto Taygo telefonou para Allyson. O rapaz encontrou-se com o grupo munido de uma pistola ponto 45. Taygo apoderou-se da pistola e matou Neylor. Na sequência, Allyson, de posse de um revólver, executou Daniele. O adolescente, também com um revólver, matou Rayssa. Dênis foi levado para um local afastado e morto a tiro pela namorada de Taygo. 

                                                           Para famílias, jovem foi pivô de assassinatos

A participação da adolescente de 15 anos na chacina ocorrida no Parque Ambiental da Serra das Areias não surpreendeu os familiares das vítimas. A reportagem ouviu ontem as mães das garotas Daniele Gomes da Silva e Rayssa Sousa Ferreira e o pai de Neylor Henrique Gomes Carneiro. Todos foram unânimes em afirmar que a menina, acolhida pelo Programa de Proteção a Testemunhas, foi o pivô da tragédia, a pessoa que era tida como de confiança pelas vítimas e que levou Taygo Henrique Santana às casas onde elas estavam.

Vítimas de um dos mais graves crimes ocorridos este ano em Goiás

O delegado Rogério Moreira Bicalho Filho, do Grupo de Investigações de Homicídios de Aparecida de Goiânia, assinala que a adolescente contribuiu para o avanço das investigações. Ele acentua que considera que ela de fato foi coagida a participar da chacina e a executar Dênis Pereira dos Santos porque, até então, não havia se envolvido em nenhum delito.

Daniele Gomes da Silva era filha única da empregada doméstica Maria do Carmo Pereira da Silva, de 42 anos. Para ela, a adolescente foi o ponto de partida para a chacina. “Foi ela que tirou as meninas de casa e as levou para serem mortas”, sublinha. A dona de casa Carlecy de Sousa Ferreira, de 42 anos, mãe de Rayssa de Sousa Ferreira, tem a mesma opinião. “Nunca pensei que uma menina jovem e bonita tivesse o instinto criminoso.”

O pai de Neylor Henrique Gomes Carneiro considera imprescindível a alteração na legislação brasileira. “Tenho receio de que os acusados saem logo da cadeia.” Ele diz que se Taygo Santana e Allyson Silva estivessem presos pelos crimes anteriores que cometeram, os quatro jovens não teriam sido mortos.

                                                            Tragédia foi uma das mais graves neste ano

A chacina em Aparecida de Goiânia foi um dos crimes mais graves registrados neste ano pela polícia goiana. Os quatro jovens foram mortos com tiros na cabeça no Parque Ambiental Serra das Areias no dia 19 de agosto.

O corpo de Dênis Pereira dos Santos foi o primeiro a ser encontrado. Uma semana depois, a polícia localizou os corpos de Neylor Henrique Gomes Carneiro, Daniele Gomes da Silva e Raíssa de Sousa Ferreira. Todos estavam carbonizados. Os acusados Taygo Henrique Santana e Allyson Pereira Costa foram presos em 4 de setembro. No mesmo dia foi apreendido o adolescente de 16 anos.

Fonte: O Popular
Texto: Maria José Silva