Polícia Civil indicia fazendeiros, empresários e construtores por crimes ambientais

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Empresários, fazendeiros, construtores e até mesmo uma comunidade religiosa estão entre as 14 pessoas físicas e jurídicas indiciadas ontem (30.11)por crime ambiental. Os inquéritos concluídos pela Polícia Civil, através da Delegacia Estadual de Meio Ambiente (Dema) foram remetidos ao Ministério Público de Goiás (MP-GO), com os resultados da investigação que encontrou casos de desmatamento, construções em áreas de preservação permanente, poluição e impedimento da regeneração de áreas de nascentes.

Organograma da degradação ambiental publicada pelo O Popular

 Os crimes ambientais se concentram em oito municípios que fazem parte das bacias do Rio Meia Ponte e do Ribeirão João Leite ( veja quadro ). Em Goiânia, um empresário e duas construtoras foram indiciadas. Uma das empresas é a Sonae Sierra, multinacional especialista na construção de centros comerciais. Na capital, eles trabalham na edificação do prédio que abrigará o Passeio das Águas Shopping, localizado na região norte da cidade, na Avenida Perimetral Norte.

 Imagens de satélite

 Entre as provas contra a multinacional estão imagens de satélite que mostram o terreno onde o empreendimento é construído, na margem do Córrego Caveirinha, afluente do Rio Meia Ponte. As fotos revelam uma área alagadiça, com várias poças, num local considerado como de proteção permanente, segundo o delegado Luziano de Carvalho.

 Por meio da assessoria de comunicação, os responsáveis pelo empreendimento informaram que a obra possui todas as licenças, inclusive as ambientais. A nota ainda informou que até o momento os empresários não receberam notificação ou intimação sobre o assunto.

 Outra indiciada na capital é a Toctao Engenharia, construtora responsável por um empreendimento no Celina Park que faz até propaganda chamando clientes para morar dentro do Parque Macambira Anicuns, onde as quatro torres do edifício estão em construção. O imóvel situa-se na esquina das avenidas Alpes e Berlim, há 15 metros da área de planície de inundação e várzea do curso d’água.

 A construtora também tem licença ambiental para tocar a obra. A Toctao alega que há equívoco dos investigadores na determinação do perímetro do empreendimento. Segundo a incorporadora, o erro está na consideração do Parque Bernardo Élis como parte do empreendimento. A Toctao constrói o parque – que será o primeiro a ser entregue no Projeto Macambira Anicuns – como contrapartida ambiental aos impactos da obra.

O delegado Luziano de Carvalho questiona se a construção do parque é um benefício ambiental ou uma valorização do próprio empreendimento. “Eu trabalho na esfera criminal, independente das licenças que a construtora conseguiu na esfera administrativa. Verificamos a construção irregular, em cima de área de preservação permanente e por isso indiciamos. Cabe ao judiciário julgar a questão.”

 Operação

 Esta foi a terceira operação dedicada à proteção de mananciais neste ano, a primeira com uso do novo helicóptero da Polícia Civil e imagens de satélite. A Dema conseguiu identificar problemas ao longo da bacia do Ribeirão João Leite, desde a cidade de Ouro Verde, onde localizam suas primeiras nascentes.

Na zona rural de Campo Limpo o problema ambiental foi encontrado dentro da propriedade de uma comunidade religiosa. Os fieis construíram uma espécie de rancho para sediar celebrações. O terreno fica na margem do Ribeirão João Leite. De acordo com a polícia civil, houve desmatamento e construção em área não edificável.

Texto: Alfredo Megrulhão – Jornal o Popular