Polícia Civil indicia Leandro Brito, de 23 anos, por agressão à idosa Leonízia dos Santos, de 72

628

Vítima fraturou fêmur e quadril. Ela só queria que o agressor pagasse cano de R$ 8,23 que ele quebrou

 A Polícia Civil concluiu ontem(dia 29.03) o inquérito policial que indiciou por lesão corporal gravíssima Leandro Brito Prado, de 24 anos, dono de uma lan house no Jardim América. Ele agrediu com um murro no rosto e depois com um empurrão, a aposentada Leonízia dos Santos, de 72, no fim da manhã do dia 7, na porta de uma farmácia na Avenida Inhumas, na Vila Regina. A agressão foi gravada pelo sistema de segurança de uma empresa e foi utilizada na conclusão do inquérito.

 Por causa da agressão, que resultou em queda, a idosa teve fratura do fêmur direito e do quadril, além de um hematoma no olho. “Estou imobilizada até hoje. Nunca senti uma dor tão forte. Vou ficar três meses sem pisar no chão. O pior foi a violência. Nunca tinha visto, nos meus 72 anos, tanta violência em uma pessoa”, disse.

 Leonízia, apesar da idade, conta que sempre foi muito independente. Naquele dia ela saiu para pagar uma conta que estava vencendo e resolveu fazer umas compras, entre elas, a de um cano de PVC de 3/4 para água fria. Ao voltar para casa, como estava muito calor, resolveu ir de ônibus.

 Ela estava no ponto aguardando o ônibus e colocou o cano, de seis metros de comprimento, no chão. Leandro Brito Prado chegou de carro neste momento e ao estacionar sobre a calçada na porta da farmácia, acabou quebrando o cano.

 As cenas captadas pelas câmeras da farmácia mostram a idosa tentando falar com o rapaz, pedindo que ele pagasse o prejuízo e sendo surpreendida com um murro no olho. Ela caiu, ficou tonta e logo levantou-se. Foi conversar novamente com Leandro e com a amiga dele, a advogada Tainá Firmina de Faria Fernandes, de 27, grávida de quase dois meses na data do crime.

 Nas imagens, a advogada ainda tenta tirar o agressor do local, parece conversar com a idosa, mas não consegue evitar que a idosa seja agredida novamente pelo dono da lan house logo após Leonízia, nervosa com a agressão sofrida anteriormente, bater no carro de Leandro com a sombrinha que carregava.

 Foi neste momento, conforme a delegada, que Leandro, que estava no interior da farmácia, vai até a calçada e desfere um chute em Leonízia, que cai novamente na calçada em frente à farmácia. “Parecia um golpe de caratê”, comentou Alessandra Maria de Castro.

 Segundo testemunhas ouvidas pela delegada Alessandra Maria de Castro, titular do 11º Distrito Policial, no Bairro Ipiranga, as agressões só não continuaram porque várias pessoas correram para socorrer a idosa, alguns tentaram agredir o rapaz. “Todos pareciam não acreditar no que acabaram de presenciar. Não sabiam se socorriam a idosa ou batiam no agressor”, contou uma testemunha para a delegada. Leandro e a amiga tiveram de sair do local para que não ocorresse um linchamento.

 Leonízia foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros, levada para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde ficou internada por um dia, transferida para o Hospital Ortopédico e agora recupera-se em casa. “Desde então, sinto dores horríveis. Dores que nunca senti em toda a vida”.

 De acordo com a delegada, Leandro não está preso porque não houve flagrante e teria comparecido na delegacia todas as vezes que a Polícia Civil o intimou. Em depoimento, o rapaz negou que tenha agredido fisicamente a idosa. Segundo ele, teria havido apenas um empurrão em um momento em que era ofendido pela aposentada.

 Como a versão dele foi confirmada em depoimento pela advogada Tainá Firmina, ela foi indiciada por falso testemunho. O que os dois não sabiam é que a Polícia Civil conseguiu, mediante requisição, as imagens da agressão, filmadas pelo circuito de segurança de uma distribuidora de bebidas que fica próxima da farmácia onde tudo aconteceu.

 Nas imagens, divulgadas ontem pela delegada, toda a agressão contra a idosa é nítida. O inquérito foi concluído e enviado ontem, com as imagens, para o Poder Judiciário, indiciando Leandro por lesão corporal gravíssima. “Foi gravíssima porque além de violenta, ocorreu de forma desproporcional”, justificou.

 Caso seja considerado culpado do crime, Leandro pode ser condenado a pena que varia entre 2 e 8 anos de reclusão. Pelo fato da vítima ser idosa, a pena pode ser acrescida de um terço, conforme determina a lei.

 A delegada revelou que Leandro é conhecido por seu temperamento violento e que por duas vezes, ao ser abordado pela Polícia Militar, acabou indiciado em Termo Circunstanciadode Ocorrência (TCO) por desobediência e resistência a prisão.

O caso chocou até mesmo a delegada que o investigou. Segundo ela, até conseguir as filmagens da agressão com o comerciante, houve dificuldade na localização de testemunhas contra Leandro, que é considerado muito violento. “Além de desproporcional, a violência do jovem contra a idosa se deu por um motivo muito fútil”.

 A delegada Alessandra Maria de Castro pesquisou em algumas lojas de material de construção quanto custaria um cano igual ao danificado por Leandro e assustou-se ainda mais com o valor irrisório do material. “Nas casas pesquisadas, o valor mais alto foi de R$8,23”.

Dependência

Enquanto recupera-se em casa das agressões, a aposentada Leonízia queixa-se, além das dores, da falta de liberdade. “Cheguei aos 72 anos sem depender de ninguém para nada. Eu costumo fazer de tudo e agora estou dependo dos outros para fazer qualquer coisa. Isso é muito ruim”.

Fonte: O Popular
Texto: Rosana Melo
Foto: Google(Ilustração)