Polícia Civil fecha clínicas para recuperação de dependentes químicos em Goiatuba

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Clínica fechada pela Polícia Civil

Donos são suspeitos de maus-tratos e manter internos em cárcere privado. Segundo a polícia, estabelecimentos não tinham licença para funcionar.

Duas clínicas de recuperação de dependentes químicos foram fechadas em Goiatuba, no sul de Goiás, nesta quinta-feira (9). Os responsáveis são suspeitos de maus-tratos e de manter os internos em cárcere privado. Segundo a Polícia Civil, os estabelecimentos não tinham licença para o funcionamento.

Uma das clínicas funcionava em uma fazenda a seis quilômetros de Goiatuba. A casa era cercada com arame farpado, que, de acordo com a polícia, era ligada à rede elétrica. Os 59 internos dormiam em beliches, espalhadas por oito cômodos da casa e dividiam apenas um banheiro. A cisterna ficava em um dos quartos e toda a água usada na limpeza do chão, escorria para o reservatório.

A Vigilância Sanitária, que acompanhou o trabalho, fez a apreensão de seringas, medicamentos e blocos de receituários médicos do Hospital Municipal de Goiatuba. “A gente precisa saber até que ponto esse médico assume alguma responsabilidade perante a clínica”, diz o fiscal sanitário Luciano Chaves.

A Polícia Civil também encontrou munições de calibre 22 e de calibre 38, além de contratos com notas promissórias assinadas pelas famílias dos internos, algumas no valor de R$ 700. Na outra unidade interditada, que fica a menos de dois quilômetros de Goiatuba, estavam 24 internos. No local, os policiais apreenderam um revólver calibre 38.

Seringas e medicamentos encontrados no local pelos Policiais Civis

Ainda nas clínicas, os internos foram identificados e ouvidos pela Polícia Civil. Depois eles seguiram em um ônibus para a delegacia, onde foram liberados.

A investigação começou em setembro do ano passado, depois que ex-internos e familiares procuraram a delegacia de Goiatuba denunciando os maus-tratos. A partir deste momento, a Polícia Civil começou a acompanhar a movimentação dos responsáveis pelo funcionamento das clínicas.

Apesar das atividades terem começado há mais de dois anos, as clínicas funcionavam sem alvará sanitário e licença da prefeitura. Um dos responsáveis se defendeu das acusações.

Os suspeitos vão ser indiciados por pelo menos três crimes. “Os três identificados como responsáveis pelas clínicas estão sendo autuados por crime de tortura, com resultado de lesão corporal grave, sequestro e cárcere privado”, informou o delegado de Goiatuba Gustavo Carlos Ferreira.

 Fonte: G1/GO