Polícia Civil investiga fraudes em boletos de mensalidade de universidade da capital

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Delegado Izaías de Araújo Pinheiro

Os crimes digitais têm ganhado destaque nos livros de ocorrências das delegacias de Goiânia. De acordo com o delegado da Polícia Civil, Izaías de Araújo Pinheiro, são registrados de 40 a 50 casos por mês somente no 1º Distrito Policial, onde é titular.

Nesta semana, oito alunos da Universidade Salgado Oliveira (Universo) procuraram a delegacia para denunciar que após pagarem o boleto de mensalidade emitido no sistema da faculdade, o dinheiro teria sido creditado em outras contas, devido a uma alteração proposital no código de barras do documento. Somente neste caso, o delegado estima um prejuízo de cerca de R$ 15 mil.

Segundo Pinheiro, o golpe do boleto bancário é velho conhecido da polícia e dos especialistas em crimes digitais. “No golpe, um vírus instalado no computador é capaz de alterar o código gerado em boletos on-line e, assim, modificar o destino do dinheiro pago. Neste caso da Universo, pelo número de pessoas lesadas, iremos investigar se o problema não foi uma invasão no servidor da universidade”, afirmou o delegado.

A fraude foi percebida quando estudantes, mesmo após pagarem o boleto, continuaram como inadimplentes no sistema da universidade. O delegado explica que o crime é vantajoso para o criminoso e difícil de ser rastreado porque as contas bancárias utilizadas para o depósito não são dos criminosos. “Muitos destes criminosos abordam pessoas humildes na fila do banco, falam que precisam de uma conta para receber um depósito para tratamento de saúde de um parente doente, inventam uma história triste e pessoa acaba aceitando, pensando estar fazendo uma boa ação”, explica.

Para evitar ser vítima do golpe, o advogado especialista em crimes digitais Rafael Maciel alerta que a melhor forma de se proteger é manter programas antivírus sempre atualizados. “Outra segurança é não clicar em links desconhecidos e prestar atenção no aparecimento de pop-ups e barras de ferramentas que aparecem sem seu conhecimento”, afirma.

Maciel explica que no caso dos universitários, inicialmente o crime se caracteriza como furto qualificado mediante fraude. “Que pode ser por instalação de vulnerabilidade na máquina do usuário, seja por descuido do mesmo ou por invasão do dispositivo”, diz.

Prejuízo
De acordo com o advogado, o crime cibernético já causa mais prejuízos do que os próprios furtos e roubos. “De acordo com pesquisa, só o golpe do boleto desviou o pagamento de cerca de R$ 8 bilhões no mundo”, conta.

Os criminosos também têm se aperfeiçoado, reforça Maciel. Antes, os usuários já recebiam o boleto alterado, em segundo momento, passaram a atuar alterando o código de barras das segundas vias solicitadas. Agora, muitos já desafiam até mesmo os sistemas bancários.

Caso seja comprovado que a fraude aconteceu por invasão no servidor da universidade, Maciel diz que os alunos deverão ser ressarcidos e que suas dívidas sejam quitadas. “Eles não podem ser lesados por um erro de segurança da empresa”, explica.

O advogado reforça a importância de registrar as ocorrências. “Na pior das hipóteses, estas denúncias me geram estatística que reforçam a necessidade de delegacias especializadas em crimes cibernéticos. Todas as provas precisam ser coletadas e os policiais precisam de equipamentos para isso, para fazê-lo na celeridade pedida. No prazo de um dia, o próprio usuário pode ter removido o vírus.”

Fonte: O Popular
Foto: Cristina Cabral / O Popular