PC investiga se clínica para dependentes químicos atuava clandestinamente em Itumbiara

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Dependentes químicos fogem e denunciam clínica por maus-tratos

Vigilância Sanitária interditou unidade em Itumbiara, no sul de Goiás. Polícia Civil está investigando se atividade era clandestina

Uma clínica de recuperação de dependentes químicos foi interditada em Itumbiara na terça-feira (11). O fechamento ocorreu depois da fuga de nove dos 16 pacientes, que procuraram a Polícia Civil, denunciaram as condições do estabelecimento e disseram que eram vítimas de maus-tratos. Um desses clientes é menor de idade e foi encaminhado ao Conselho Tutelar da cidade. Apesar das acusações, o estabelecimento foi interditado pela Vigilância Sanitária Municipal, que não teria encontrado o alvará de funcionamento. Há a suspeita de que a atividade da clínica fosse realizada clandestinamente.

“Para funcionar, elas [clínicas] precisam de responsáveis técnicos e responsáveis legais. O que não foi encontrado nesse caso”, explicou o diretor da Vigilância Sanitária de Itumbiara, Hebert Andrade.

A Polícia Civil não encontrou remédios no local. Em depoimento na delegacia, o dono da clínica disse que não usa nenhum medicamento sem autorização médica. O proprietário poderá responder em liberdade por maus tratos e exercício irregular de atividade. A pena prevista para os dois crimes é de menos de dois anos de detenção.

A delegada de polícia Daniela Cunha contou como foi o depoimento do dono da clínica: “O proprietário disse que havia um médico que levava esses pacientes para serem medicados e fazer consultas. Entramos em contato com esse médico, que confirmou já ter feito alguns atendimentos, e que frequentemente eram feitos alguns. Então, não comprovamos que houve alguma ministração de medicamentos sem autorização médica”.

Alimentos estragados

A reportagem da TV Anhanguera foi ao local conferir as condições de organização e higiene da clínica e flagrou roupas no chão, colchões empilhados e cama sem colchão. Na geladeira, foram encontrados alimentos estragados e um pedaço de carvão para tirar o mau cheiro.

Um dos pacientes, que pediu para não ser identificado, garante que eles chegavam a comer comida estragada. “Alimentação eles pegavam as caixas que sobravam do verdurão, iam para o lixo. Quando chegavam aqui as metades que estavam podres eram cortadas e iam para os porcos e aquela outra metade, aquela anarquia, a gente comia”.

Outro paciente, que também pediu para não ser identificado, diz que a clínica não possuía profissionais especializados. “Não há psicólogo, psiquiatra, médico ou enfermeiro. Éramos medicados pelos próprios internos e pelo dono da clínica”, afirma.

Um terceiro paciente conta que era punido sempre que tentava avisar a família dos maus-tratos que sofria na clínica. “Totalmente desumano. Eu sempre sabia, mas eu nunca falei com a minha família porque senão, quando elas fossem embora, depois de acabada a ligação, eles me batiam”, afirma. Dois internos com problemas psiquiátricos foram encaminhados ao Hospital Municipal de Itumbiara. Os outros voltaram para as casas de parentes.

Fonte: http://g1.globo.com