Polícia Civil investiga vândalos infiltrados nas manifestações de rua realizadas em Goiânia

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Manifestantes mascarados ao lado de orelhão destruído

A Polícia Civil acredita que os grupos que estão promovendo vandalismo e depredação nas manifestações de Goiânia são os mesmos que, comumente, se infiltram nas torcidas organizadas e em jogos no Estádio Serra Dourada para cometer crimes semelhantes. A investigação desenvolvida até agora conseguiu identificar comportamentos compatíveis entre os integrantes e uma varredura feita na internet levantou nomes de pessoas que confirmaram presença nos eventos dos protestos e que possuem relação com tais grupos.

O delegado titular do 1º Distrito Policial, Izaías de Araújo Pinheiro, informa que o trabalho de investigação chegou a uma relação de nomes, com endereço e a forma de localizar essas pessoas. Segundo ele, são jovens que possuem entre 16 e 25 anos e que não têm relação com os organizadores dos protestos. “Manifestante é uma coisa, bandido é outra”, diz. Desde o início das manifestações, os detidos estão sendo levados para o 1º DP acusados de atos como vandalismo, assaltos, arrastões e pequenos furtos, os mesmos tipos de crime que acontecem nas saídas dos estádios.

Izaías ressalva, da mesma forma, que não se tratam necessariamente de integrantes de torcidas organizadas, mas de “aproveitadores” que usam a multidão e a concentração de pessoas para camuflar os pequenos crimes. Tanto o presidente da Força Jovem Goiás, Wanderson Xavier, como o presidente da Esquadrão Vilanovense, Mário Abrão Júnior, dizem desconhecer tais pessoas e lembram que as atividades das torcidas estão suspensas por decisão judicial.

Na semana passada, antes do protesto do dia 20, surgiu na internet o boato de que as organizadas estariam convocando os integrantes para participar da manifestação. Uma nota conjunta das torcidas foi enviada para a imprensa esclarecendo que isso não tinha sido feito e que elas não compareceriam, enquanto instituição. No entanto, citaram a liberdade dos torcedores para se expressarem cada um ao seu jeito e decidirem ou não pela participação no ato.

“Se existe um grupo que se aproveita disso, eu não sei. Só posso dizer que existem pessoas de má índole que se infiltram e eu não as conheço. Até mesmo porque o estádio é um local público e que atrai muitas pessoas. Difícil controlar”, declara o presidente da Força. Wanderson e Mário defendem que o caso precisa ser levantado e os responsáveis punidos, porque as torcidas e as manifestações não podem pagar por isso.

Os organizadores dos protestos feitos na capital também afirmaram que desconhecem essas pessoas. No protesto de segunda-feira, por diversas vezes, os representantes que estavam à frente do carro de som pediram para os jovens não depredarem ou praticarem atos de vandalismo. A situação ficou insustentável ao ponto de, já no meio da BR-153, eles decidirem voltar para a Praça Cívica e evitar a chegada ao Paço Municipal. A pressão dos manifestantes foi grande nessa hora, com gritos, vaias e os organizadores voltaram atrás da decisão, continuando o trajeto.

Um dos líderes do protesto da última segunda-feira, que pediu para o nome não ser revelado, diz que também não conhecia os jovens que estavam presentes, porque quando se organiza um evento pelo Facebook não dá para controlar quem vai ou não. Apesar disso, ele acredita que o ato dos adolescentes foi, na verdade, um reflexo da revolta da população. Conforme ele, que reforça a ausência de relação com qualquer partido político, os meninos que promoveram a depredação são filhos de homens que foram mortos, vítimas da violência cotidiana, e de mulheres que são exploradas trabalhando como empregadas domésticas.

A Frente de Luta Contra o Aumento, movimento que iniciou as manifestações em Goiânia, emitiu ontem uma nota de solidariedade aos manifestantes que sofreram com a agressão policial e sinalizaram para a possibilidade de novos protestos na capital. Ao contrário do que chegaram a afirmar na semana passada, quando disseram que as atividades do grupo seriam temporariamente suspensas, a vontade agora é de agendar uma nova manifestação, porque as causas não foram totalmente atendidas.

Eles reivindicam ainda a publicação das planilhas de cálculo do valor da tarifa, a revogação do contrato com as empresas de transporte e adicionaram uma nova reivindicação, que seria a oferta de passe livre por duas semanas para ressarcir a cobrança indevida dos R$ 3, feita antes da decisão da Justiça. Uma reunião está marcada para hoje, às 19 horas, na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG) e foi convocada para elaborar uma nova agenda de atividades.

Balanço dos estragos

Ação de vândalos em manifestação deixou rastro de destruição

■ Três pessoas foram presas.

■ Oito carros foram depredados, sendo três do Grupo Jaime Câmara, um da TV Serra Dourada e os demais de particulares.

■ 31 vidraças foram quebradas no prédio da TV Serra Dourada, além de alambrados e estruturas de metal.

■ Dos equipamentos fotográficos do POPULAR foram roubados uma lente Canon 70 – 200 mm, um carregador, uma bolsa de equipamento, uma lente 50 mm e um HD  Externo de 500GB.

■ Extintor de posto de gasolina às margens da BR-153 é roubado

■ 12 carros apedrejados no Jardim Goiás

■ Orelhão arrancado no Terminal da Praça da Bíblia

■ Carga de pneus de caminhão roubada

■ Vidraças quebradas em restaurante

Abert repudia ataques à imprensa em Goiânia

26 de junho de 2013 (quarta-feira)

Fonte: O Popular
Texto: Galtiery Rodrigues
Foto: Wildes Barbosa