Polícia Civil: Padrasto pode ter matado enteada com explosão de dinamite amarrada ao corpo

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Loanne Rodrigues da Silva pode ter sido vítima do padrasto

Era para ser uma sessão de fotografias no Morro do Frota, um dos locais mais visitados e bonitos de Pirenópolis, a 107 quilômetros de Goiânia. Ela, uma jovem de beleza exuberante, estudante de Enfermagem e monitora de hotel, com 19 anos. Ele, o padrasto que tinha ciúmes doentio da enteada, garimpeiro que trabalhava em uma das pedreiras da cidade.

Joaquim Lourenço da Luz, de 47 anos, por ter acesso fácil a explosivos, é o principal suspeito de matar a enteada Loanne Rodrigues da Silva Costa, de 19, de forma nunca registrada em Goiás. Com corda e uma corrente ele se amarrou à enteada, de frente pra ele, com uma dinamite entre os dois. Com a explosão, conseguiu matar a jovem e se matar.

Ela teve toda a cavidade abdominal exposta pela explosão, além de vários ferimentos pelo corpo. Ele ficou com a caixa torácica exposta. A Polícia Civil ainda não sabe se a jovem estava viva quando o explosivo foi detonado. Os corpos foram encontrados no início da manhã de terça-feira. Joaquim estava posicionado sobre Loanne e acreditava-se que ambos tinham sido mortos a facadas.

A tese de duplo homicídio foi praticamente descartada no início da noite de terça-feira quando um perito do Instituto Médico Legal (IML) de Anápolis informou ao delegado Rodrigo Luiz Jayme, de Pirenópolis, que os ferimentos nas vítimas eram incompatíveis com facadas. Ele explicou que havia sido encontrado fragmento de explosivo nos corpos e que os ferimentos eram compatíveis com o impacto de uma explosão.

A tese, inicialmente, chocou o delegado e a equipe, que retornou ao local, a aproximadamente 4 quilômetros da cidade. Foi lá que agentes da Polícia Civil localizaram e apreenderam fragmentos de explosivos próximo de onde os corpos haviam sido encontrados.

Os fragmentos foram encaminhados à Polícia Técnica e Científica para comparação com o material encontrado nos corpos. No local também foram apreendidos um pedaço de corda verde e azul, um pedaço de corrente e uma lanterna. Próximo dali, uma barraca e um colchão pertencentes a Joaquim.

Uma testemunha disse ter visto o garimpeiro no local um dia antes. O crime teria sido premeditado. Na casa dele, os policiais apreenderam uma corda idêntica a que foi encontrada amarrando os dois corpos. Um pedaço de corrente idêntico ao da cena do crime também foi encontrada na casa de Joaquim.

A Polícia Civil descobriu que há alguns dias Joaquim fez um seguro de vida no nome do filho dele. “Ele teria perguntado no Banco Bradesco se o seguro cobria caso de suicídio”, contou o delegado que investiga o caso. A Polícia Civil investiga se ele também fez seguro de vida em nome do filho na Caixa Econômica Federal (CEF).

Segundo o delegado, todos os indícios apontam que Joaquim premeditou o crime, atraiu a vítima até ao Morro do Frota e a matou, cometendo suicídio ao mesmo tempo.

Ontem, o delegado ouviu a mãe da jovem, Sandra Rodrigues da Silva e uma amiga de Loanne. Sandra disse que nunca estranhou o comportamento de Joaquim em relação à filha. Revelou que ele era carinhoso, mas muito preocupado com ela.

A amiga, cujo nome não foi divulgado, disse que Loanne se sentia oprimida pelo padrasto. Quando ela saia, segundo a amiga, o padrasto ficava ligando o tempo todo. “Ele fazia massagem nos pés dela. Loanne, por sua vez o tratava normalmente como padrasto”.

O delegado disse ainda que Joaquim nutria um sentimento de posse sobre Loanne e não era correspondido, o que pode ter motivado o crime.

A mãe da jovem disse que não era comum Joaquim e Loanne ficarem sozinhos em local ermo, como aconteceu na tarde de segunda-feira. Sandra disse que foi com a filha até determinado ponto do Morro do Frota, mas não conseguiu acompanhá-la.

Loanne acabou o trajeto sozinha e ligou para a mãe quando chegou na antena que fica no topo do morro para dizer que já havia se encontrado com padrasto. Elas combinaram que Sandra a buscaria no final da tarde, mas quando a mãe retornou ao local, a filha não foi mais encontrada e não atendia mais ao telefone.

Sandra acionou as Polícias Civil e Militar, além do Corpo de Bombeiros. As corporações iniciaram buscas ainda no final da tarde de segunda-feira. Os corpos foram encontrados na manhã de terça-feira.

Rodrigo Luiz Jayme disse ontem que Loanne foi agredida fisicamente em maio deste ano, mas que a autoria não foi revelada. Na mesma época ela recebeu carta anônima a ameaçando. A Polícia Civil vai apreender algo que Joaquim tenha escrito na casa dele para submeter o material e a carta a exame grafotécnico – quando a grafia é comparada com a finalidade de identificar quem a escreveu.

Com tantos indícios de que foi mesmo Joaquim quem planejou e executou Loanne e se matou, o delegado praticamente descartou outras hipóteses para o crime, que desde o início assustou a cidade histórica e turística. O que pode ser seu desfecho, assustou ainda mais a população, pelo ineditismo da forma como Joaquim se matou após matar sua vítima.

 

Fonte: O Popular
Texto: Rosana Melo