Polícia Civil prende quadrilha internacional responsável pela clonagem de cartões de créditos

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Presos apresentados à imprensa sob a escolta de Policiais Civis

Texto: Larissa Lessa
Fonte: Site  A Redação

Um novo esquema de clonagem de cartões de crédito foi descoberto por policiais da Delegacia Estadual em Investigações Criminais (Deic). Durante a operação Clone.net, quatro pessoas foram presas suspeitas de utilizar dados hackeados para fabricar novos cartões de crédito. De acordo com a Polícia Civil, o prejuízo estimado com a fraude passa de R$ 1 milhão. Os presos foram apresentados na manhã desta segunda-feira (23/1) na sede da Deic, em Goiânia.

O esquema permitia aos fraudadores fabricar um novo cartão sem a necessidade de ter em mãos o cartão de crédito original, aposentando equipamentos como o “chupa-cabra”, utilizado em caixas eletrônicos para prender o cartão de crédito. De acordo com as investigações da Polícia Civil, os dados dos cartões de proprietários em diversos países eram fornecidos por um hacker russo para Wheber Alves de Oliveira, 26 anos, que chefiaria a quadrilha juntamente com Arnaldo Baltazar de Souza Neto, 26 anos, que continua foragido. Os policiais não sabem do paradeiro do hacker e as informações sobre a operação devem ser repassadas para a Polícia Federal e para a Interpol.

Além de Wheber, também foram presos em flagrante a esposa Pamella Kariny Rodrigues de Oliveira, 22 anos, Leandro Baltazar Caparoza, 24 anos e Diego Hassan da Rocha Mendes, 20 anos. Eles foram indiciados pelos crimes de formação de quadrilha e furto qualificado e, se condenados, podem ficar presos de 12 a 27 anos.

Cartões apreendidos com a quadrilha, juntamente com as impressoras utilizadas na impressão dos cartões de crédito

Wheber tem dez passagens pela polícia por crimes como formação de quadrilha, furto, estelionato e porte ilegal de arma. Questionado sobre o golpe, ele afirmou não clonar cartões há seis meses e também negou a participação da esposa, que também tem passagem pela polícia por formação de quadrilha e estelionato. As investigações apontam que a quadrilha chefiava grupo preso na semana passada em Caldas Novas (GO) com dezenas de cartões clonados.

Ação

De acordo com o delegado Douglas Pedroso, a fraude acontecia há mais de dois anos. Ele explica que os cartões fabricados poderiam ser vendidos pela metade do preço do limite ou eram utilizados para comprar equipamentos eletrônicos, que seriam revendidos pela quadrilha por valor abaixo do de mercado.

Veículos de luxo apreendidos pela Polícia Civil em poder da quadrilha

Segundo o delegado, a forma como era feita a clonagem era desconhecida da Polícia Civil e da Polícia Federal em Goiás. Os cartões eram impressos em nome do comprador da quadrilha, o que dificultava a descoberta do golpe. “No método antigo de clonagem, o fraudador dependia da conivência ou da distração do comerciante para conseguir efetuar a compra. Como agora o cartão já está no nome da pessoa que o está utilizando, fica difícil descobrir o golpe”, explica o delegado.

Os proprietários dos cartões só conseguiam identificar a fraude com a chegada da fatura da operadora do cartão com as cobranças indevidas. Para os proprietários, a dica do delegado é ficar atento às cobranças feitas na fatura do cartão e, em caso de suspeita de alguma cobrança, notificar imediatamente a operadora do cartão de crédito. “Mudou a forma de obtenção dos dados de cartões de crédito, que agora é feito de maneira virtual, sem o acesso ao cartão da vítima. O proprietário não tem nenhuma culpa”, destaca o delegado.

Prisão

Depois de três meses de investigação, a Polícia Civil prendeu o grupo na manhã de sexta-feira (20/1), depois que eles utilizaram um cartão clonado para pagar uma conta de R$ 2,3 mil em uma boate de Goiânia. Segundo o delegado Douglas Pedroso, a polícia trabalha agora para identificar os compradores dos cartões. “Boa parte utilizava documentos falsos para as compras com os cartões”, explica o delegado.

Segundo o delegado, foi necessário esperar que a quadrilha utilizasse um cartão para que fossem indiciados também por furto qualificado. “Se prendêssemos o grupo somente por formação de quadrilha, a Lei atual nos obrigaria a arbitrar fiança para esse pessoal, que tem muito dinheiro. Eles ficariam uma noite na prisão”, explica. A quadrilha chegava a gastar R$ 5 mil em apenas uma noite em boates.

Nos apartamentos em que os presos moravam, na Vila Alpes, em Goiânia, os policiais encontraram duas impressoras de cartões, diversos equipamentos eletrônicos, como televisões, monitores e computadores, cartões de crédito em branco e clonados e 72 comprimidos de ecstasy. Também foram apreendidos cinco carros: Hyundai Azera, Hyundai Sonata, Fiat Strada, JAC J3 e um Gol. Um dos carros estava em nome de Pamella e a polícia ainda investiga se o veículo seria financiado e as parcelas pagas com cartões clonados. Somente em 2011, a Polícia Civil registrou 321 ocorrências de clonagem de cartão em Goiás, 177 delas apenas na Capital.

Leandro Caparoza, Diego Hassan, Wheber Alves e Pamella Kariny
Parte da quadrilha presa esconde a cara na apresentação à imprensa