Polícia Civil prende quadrilha, liderada por um presidiário, acusada de assalto a joalherias

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Hellen de Matos Victoy: assaltante

Produtos eram entregues ao líder do grupo, na Penitenciária Odenir Guimarães, onde eram vendidas a outros presidiários

Texto: Malu Longo

A prisão de três pessoas – duas mulheres e um homem –, acusadas de pertencer a uma quadrilha especializada em assaltos a joalherias mostra que, apesar das promessas, o sistema penitenciário goiano segue vulnerável. Ontem (13.06), no que chamou de Operação Fila Dourada, o titular do 5º Distrito Policial de Goiânia, delegado Douglas Pedrosa, apresentou à imprensa Hellen de Matos Victoy, de 23 anos, Thaissa Pereira Camargo, de 22, e Wagner Gonçalves da Costa, de 23, acusados de participar de vários assaltos a joalherias sob o comando de Railson Coelho Delfino de Souza, preso na Penitenciária Odenir Guimarães (POG), no complexo prisional de Aparecida de Goiânia.

As ordens, segundo a Polícia Civil, seriam dadas pela internet, nas redes de relacionamento, e o produto dos assaltos comercializado no interior da prisão. O grupo pretendia realizar um assalto em Campinas no Dia dos Namorados. Hellen de Matos e Thaissa Pereira seriam responsáveis pela checagem do ambiente. Elas visitavam as lojas e repassavam as informações para os comparsas que entravam armados e davam voz de assalto. Segundo o delegado Douglas Pedrosa, pelo menos quatro joalherias foram roubadas pelo grupo em quatro meses de investigação.

Dos três detidos, apenas Wagner não tem passagem pela polícia. Hellen já foi presa por formação de quadrilha, receptação e posse ilegal de arma de fogo. Thaissa, por roubo e formação de quadrilha. “Elas nem conheciam os assaltantes. Estavam no local para aumentar uma aliança. Tudo não passou de uma coincidência”, disse o advogado delas, Gaspar José da Silva. As jovens vivem na Região Leste da capital, Vila Pedroso e Vila Concórdia, e foram flagradas por câmeras de segurança numa loja de Campinas no dia 2 de abril.

Delegado Douglas Pedrosa: 5º DP

Fila Dourada, o nome dado à operação, explica o recurso criado pelas mulheres para entrar com as joias na POG. Nos dias de visita, elas pediam às mulheres que estavam na fila para usar os objetos. Lá dentro, todas devolviam e as joias eram entregues a Railson, que as revendiam entre os detentos. No momento em que o delegado Douglas Pedrosa explicava o significado do nome com o qual batizou a operação, as duas mulheres, de costas para as câmeras de repórteres, riram.

“Não há um caso que eu tenha participado que os criminosos não tenham se organizado de dentro da cadeia. Hoje, 90% dos crimes ocorridos em Goiás têm como referência o sistema prisional”, ressaltou Douglas Pedrosa. Hellen, que está grávida de oito meses, teria se relacionado com Railson. Um casal já identificado, mas ainda não qualificado, deve ser preso nas próximas horas. A Polícia Civil também procura Willamis Gustavo de Carvalho Lopes, de 20, acusado de abordar as vítimas, que está foragido.

Suspeita de roubo diz que filho não é de Mohammed d’Ali

Texto: Rosana Melo

Personagem caricata de uma história policial, a jovem Hellen de Matos Victoy, de 23 anos, presa ontem (13.06) sob a suspeita de pertencer a uma quadrilha de assaltantes de joalherias em Goiânia, revelou durante entrevista que o ex-marido não é o pai de seu filho, um menino de 2 anos.

Hellen era amiga de infância e acabou namorada de Mohammed d’Ali Carvalho dos Santos, condenado em2009 acumprir pena de 21 anos de prisão pelo assassinato, esquartejamento e ocultação do cadáver da inglesa Cara Marie Burke, de 17 anos.

O caso teve grande repercussão e sob os holofotes da imprensa, Hellen dizia não ter medo do então namorado. Ela acabou casando-se com ele, dentro do complexo prisional de Aparecida de Goiânia e, em março de 2009, ela deu à luz um menino. Até então, filho do esquartejador.

No início de 2010 Mohammed separou-se de Hellen, que já havia feito amizades dentro do presídio. Desde então, conforme o delegado Douglas Pedrosa, titular do 5º Distrito Policial, no Setor Rodoviário, ela namorou com alguns presidiários.

Foi nesta época que ela começou a envolver-se em problemas com a Polícia Civil. “Há um ano e meio, Hellen foi presa por receptação de veículo roubado.” Segundo ele, a jovem agia a mando de um de seus relacionamentos de dentro do presídio.

A prisão da jovem pelas equipes do 5º DP ocorreu no momento em que ela, conforme a investigação, agia sob orientações do chefe da quadrilha de roubo a joalherias, atual namorado dela, Railson Coelho Delfino de Souza, que está no presídio.

Fonte: O Popular
Foto: G1/GO