Polícia Civil prende quadrilha por furto e adulteração de combustível, que era vendido

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Combustível furtado pela quadrilha era armazenado em galões

Seis pessoas foram presas em uma operação da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA) suspeitas de integrar uma quadrilha que agia há uma década em Goiânia, furtando combustível dos caminhões, adulterando o produto que seria entregue aos postos e revendendo a preço inferior ao do mercado o que foi furtado.

O delegado Edson Carneiro Caetano, titular da DERFRVA, disse que não há como fazer uma estimativa do prejuízo causado pela quadrilha no momento. O furto era cometido logo depois que o caminhão era abastecido, principalmente com gasolina, no Pool da Petrobras, no Jardim Novo Mundo.

A duas quadras dali, o caminhão seguia para uma oficina falsa, que daria manutenção nos caminhões, e era onde o lacre da Petrobras era rompido e o combustível furtado e colocado em tanques. Para compensar o que foi furtado, a quadrilha adicionava água, diesel ou álcool na gasolina a ser levada aos postos.

Como quem faz a entrega do combustível nos postos geralmente são os mesmos motoristas, conhecidos dos donos dos postos, se aproveitavam da confiança que tinham para que ninguém averiguasse o lacre do caminhão.

“Fazemos um alerta aos donos de postos para que prestem atenção aos lacres dos caminhões. Estamos investigando se os donos de postos sabiam que estavam vendendo combustível adulterado”, disse o delegado. Segundo ele, caso seja comprovado que algum dono de posto tenha pago a menos por um produto adulterado, ele será indiciado por formação de quadrilha e por receptação.

Prisões

A operação de ontem (28.06) foi para o cumprimento de prisão preventiva contra o porteiro Manoel Marques Rodrigues, responsável por aliciar os motoristas; José Alves Teixeira, o empresário Fábio Ricardo Camargos e o motorista Maurício Meneses da Silva. Na hora da prisão, Teixeira estava com uma espingarda calibre 22. Manoel foi preso em flagrante junto com Osmar Gonçalves Rodrigues, no momento em que furtavam combustível. Diego Peixoto da Silva, que guardava combustível de forma irregular, também foi detido. Todos serão indiciados por formação de quadrilha e furto qualificado.

As equipes de policiais civis estavam investigando roubo de caminhões quando perceberam o esquema de furto de combustível. Descobriram que Camargos, proprietário de uma construtora, havia comprado 5 mil litros de gasolina da quadrilha para o abastecimento dos caminhões e máquinas da empresa dele. Pelos 5 mil litros ele pagou R$ 7,5 mil, ou R$ 1,50 por litro de gasolina.

Para o consumidor final, nos postos da capital, o litro da gasolina comum é vendido por R$ 2,69 a R$ 2,99. Camargos teria comprado o combustível diretamente da quadrilha, antes da adulteração da gasolina. “Vamos investigar se outras pessoas estão envolvidas nessa compra irregular também”, contou o delegado.

Segundo Edson Carneiro, somente o porteiro, que seria um dos líderes do grupo, tem um patrimônio incompatível com o salário dele. “Ele tem uma S-10 nova, casas e uma chácara”.  O delegado disse ainda que toda noite, de dois a três caminhões ligados à quadrilha paravam na oficina para descarregar ilegalmente cerca de 500 litros de combustível.

Fonte: O Popular
Texto: Rosana Melo