Polícia Civil: Preso confessa ter matado pianista, mas afirma que agiu sob efeito de drogas

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Pianista Sandra Bosi Alencastro Veiga: Vítma

Davi Mundim da Silva, de 39 anos, confessou ontem )17.03), durante interrogatório formal ao delegado titular de Pirenópolis, Bruno Costa e Silva, ter matado, em outubro do ano passado, a pianista e professora de ioga Sandra Bosi Alencastro Veiga, de 55 anos, mas negou ter roubado dinheiro da vítima. “Ele alegou ter agido sob efeito de drogas e estar fora de si. No entanto, apresentou muitas contradições em seu depoimento. Acreditamos que esteja mentindo”, destacou o delegado, mantendo, no inquérito, a tese de latrocínio.

O suspeito foi ouvido pela manhã, na Delegacia Regional da Polícia Civil em Anápolis, distante cerca de 55 quilômetros da capital. À tarde, Davi continuava preso no local, já que não há cadeia em Pirenópolis. O delegado Bruno Costa e Silva aguardava decisão da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária e Justiça de Goiás sobre o presídio para o qual ele seria encaminhado, preventivamente.

De acordo com o delegado, também em depoimento, Davi da Silva argumentou que, até ser detido, na sexta-feira, caminhando pela BR-020, na região de Formosa, não sabia que a pianista Sandra Veiga havia morrido. “A reação no momento da abordagem leva a crer que o suspeito sabia, sim, da morte da vítima. Ele foi abordado por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e, inicialmente, deu um nome falso. Por quê?”, questiona Bruno, lembrando que, logo em seguida, os policiais rodoviários descobriram a verdadeira identidade do homem e constataram que havia um mandado em aberto contra ele.

                                                                      Marcas na cabeça

Sandra Alencastro Veiga foi assassinada na chácara onde morava sozinha, na zona rural de Pirenópolis. Ela foi encontrada morta dentro da casa, com o corpo nu e marcas na cabeça. Laudos periciais revelaram ter havido estrangulamento e que uma pedra foi utilizada para golpeá-la.

Desde o início das investigações, Davi foi apontado pela Polícia Civil como o principal suspeito do crime. Amigos e familiares da vítima contaram que ele – até então residente na Vila Morais, em Goiânia – teria sido contratado por Sandra para vigiar a casa dela durante uma viagem de 20 dias que faria a Índia.

                                                       “Vou procurar os que falam de Deus”

O auxiliar de serviços gerais, David Mundinho da Silva, de 38 anos, suspeito de matar a pianista Sandra Bosi de Alencastro Veiga, diz que vai usar a religião para se recuperar.

O senhor assume a autoria do crime?

Aconteceu esse fato porque eu estava drogado, não estava me reconhecendo. Lembro que quando saí deixei a vítima com vida e não sabia que tinha morrido. Eu fiquei sabendo da morte dela pela Polícia Rodoviária.

Por que você cometeu esse crime?

Porque eu estava completamente drogado e fui conversar com ela, mas acho que ela estranhou o modo que eu estava e acabou dando pedradas em mim.

Que tipo de droga você tinha usado?

Eu tinha usado umas 20 carreiras de escamas de peixe, cocaína; fumei umas 10 pedras de crack e tomei umas três doses de pinga.

Queria pegar algo dela, dinheiro ou o carro?

Não, eu não sei dirigir nem sei mexer com cartão de crédito, sou analfabeto.

E se na prisão te oferecerem drogas, qual será sua reação?

Lá dentro em vou procurar os grupos que falam de Deus para quando eu sair, esteja de cabeça erguida e regenerado. Vou procurar Deus.

Fonte: O Popular
Texto: Patrícia Drummond
Entrevista: Paulo Nunes
Foto: G1 / GO