Polícia Civil: Presos pelo GIH, de Aparecida de Goiânia, autores da Chacina da Serra das Areias

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Um dos autores da chacina, Thaygo Henrique, de 18 anos, é apresentado à imprensa sob a vigilância de Policiais Civis

Thaygo Henrique Alves Santana, de 18 anos, confessou ter matado com um tiro de pistola calibre 45, o estudante Neylor Henrique Gomes Carneiro, de 18 anos, no dia 19 de agosto, e afirmou que foi a namorada, de 15 anos, que planejou toda a ação e executou Denis Pereira dos Santos, de 15. Dois comparsas dele teriam matado as estudantes Rayssa Souza Ferreira e Daniele Gomes Carneiro, de 15, no Parque Ambiental da Serra das Areias, em Aparecida de Goiânia.

Thaygo foi preso ontem cedo em uma operação da Polícia Civil, que contou com todos os policiais do Grupo de Investigações de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia e as equipes do Grupo Tático 3 (grupo de elite da PC), em um barracão no Setor Retiro do Bosque, em Aparecida de Goiânia.

Com ele, foram presos Allyson Pereira Costa e Silva, de 19, conhecido com Blimblim, e um adolescente de 16 anos, supostos parceiros constantes de Thaygo. Juntos, eles teriam assaltado cerca de 10 joalherias nos últimos anos e cometido pelo menos dois assassinatos, além da chacina da Serra das Areias.

O delegado Rogério Bicalho, do GIH, disse que a Polícia Civil estava monitorando Thaygo há alguns dias e acabou localizando o grupo todo ontem cedo. Na abordagem, o grupo tentou fugir pulando muros das casas vizinhas, mas acabou se entregando depois que Allyson foi atingido por um tiro nas nádegas. Ele está internado sob escolta no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e não corre risco de morte.

A partir da prisão dos suspeitos e da apreensão do comparsa, a Polícia Civil tem 30 dias para a conclusão do inquérito, que pode ser prorrogado mais 30 dias. Todos os envolvidos, incluindo a adolescente de 15 anos, namorada de Thaygo, serão ouvidos no inquérito e caso seja necessária, uma acareação pode ser feita, já que cada um deles apresentou as versões dos fatos.

                                                                         Várias versões

O grupo confessou o assassinato dos estudantes, mas apresentou várias versões dos fatos. “Tinha a intenção de matar só o Neylor, mas todo mundo acabou morrendo”. Segundo ele, a namorada disse dias antes do crime que Neylor e Denis estavam a ameaçando. Ele teria ligado para Neylor, que o teria ameaçado de morte. “Matei ele antes dele me matar”.

O adolescente apreendido ontem pela polícia, disse que foi ele quem matou as duas adolescentes. Antes porém, em entrevista coletiva e para a Polícia Civil, ele disse que Denis, sob a mira de uma arma apontada por Thaygo, teria matado Daniele e depois teria sido morto pela namorada de Thaygo.

A adolescente, que foi resgatada no sábado pela Polícia Militar em uma casa no Jardim Tropical, em Aparecida de Goiânia, pertencente a uma tia de Thaygo, contou que se sentia ameaçada pelo namorado, que estava fugindo da polícia e por isso não deixou o imóvel. Na versão dela, quem matou os quatro colegas foi Thaygo motivado por ciúmes dela. Segundo a adolescente, Thaygo não gostou dela postar uma foto com Neylor em uma rede social e foi tirar satisfações.

O delegado Rogério Bicalho disse que todas as versões serão confrontadas nos próximos dias para que a culpa das mortes seja individualizada. “Se a adolescente vai passar de testemunha a indiciada, só ao final do inquérito que poderemos falar”, disse.

                                                                           Arma

Na casa onde Thaygo foi preso ontem cedo, a Polícia Civil apreendeu uma porção de maconha, um revólver calibre 38 e uma pistola calibre 45, de propriedade da Polícia Militar de Goiás. De acordo com a assessoria de imprensa da PM, como a Polícia Civil ainda não repassou a numeração da arma não tem como afirmar se há alguma restrição de furto ou roubo da arma, o que será verificado posteriormente. Thaygo disse que a arma não é dele, mas que a utilizou na execução de Neylor.

Os calibres das armas são compatíveis com as encontradas nas vítimas, segundo o delegado-chefe do GIH, Kleber Leandro Toledo Rodrigues. Thaygo e o adolescente apreendido foram submetidos a exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal no final da tarde de ontem. O adolescente foi levado para a Delegacia de Apuração de Atos Infracionais de Goiânia e Thaygo para a carceragem da Delegacia de Homicídios da capital.

                                                                        O crime

Thaygo contou que foi com a namorada e os comparsas até a casa de Daniele, em um Gol roubado, e sob a mira da arma dele, Daniele e Rayssa entraram no carro. O mesmo foi feito quando chegaram na casa de Neylor, onde também estava Denis.

“Mandei todo mundo ficar calado”, disse. Ao chegar na Serra das Areias, eles deixaram o carro e foram a pé até o local da execução de Neylor. “Só engatilhei a arma e atirei”.

A promotora de vendas de 38 anos, mãe do adolescente apreendido, disse que o filho está assumindo o assassinato das duas adolescentes para amenizar a pena de Thaygo. “Ele o idolatra”, disse.

Segundo ela, desde que conheceu Thaygo, o filho abandonou a família para ir morar com o marginal e praticar assaltos. “Ele nos dá muito trabalho desde então. Já foi internado duas vezes por roubo desde que conheceu esse marginal”, contou a avó do adolescente apreendido, a aposentada de 66 anos.

As duas acompanharam ontem a tarde toda a apresentação do adolescente e de Thaygo para a imprensa. “Meu filho não é capaz de matar duas adolescentes. Ele pensaria nas irmãs dele de 19 e de 20 anos”.

Texto:Rosana Melo:
Fotos: Cristina Cabral

 

                                                         ‘Fiquei uma semana em um hotel de Caldas Novas’

   

Thaygo Henrique dos Santos fala com jornalistas, na sede do GIH, em Aparecida de Goiânia,  sobre as mortes na Serra das Areias

Enquanto era procurado em Aruanã e em Aparecida, Thaygo Henrique estava hospedado em um hotel em Caldas Novas, tomando cerveja e fumando maconha. Em entrevista, disse que voltou a Aparecida porque o dinheiro acabou.

 

Porque você matou os estudantes?

Tinha a intenção de matar só o Neylor, mas todo mundo acabou morrendo.

Você matou os quatro?

Isso é armação dela (a namorada). Ela que planejou tudo e agora quer pagar de santinha. Ela disse que o Neylor e o Denis estavam ameaçando ela. Eu liguei pro Neylor para tirar satisfação e ele disse que ia me matar. Depois, um amigo dele me ligou dizendo que era bandido lá do Jardim Tiradentes e que ia me matar. Fui lá e matei ele primeiro.

Mas e os outros estudantes?

Ela matou o Denis. As duas meninas foi o menor (comparsa dele de 16 anos) que matou.

Você já tinha matado alguém?

Só um a pessoa. Agora mais uma.

E você tem muitas passagens pela polícia?

Já assaltei umas dez joalherias, mas nenhuma em Goiânia.

Depois de matar os estudantes você levou sua namorada para a casa da sua tia e a ameaçou caso ela fugisse?

Que nada! Ela pediu para ir pra lá porque ela não dá certo com a mãe dela. Ela queria que eu matasse a mãe dela, mas eu me neguei.

E de lá, você fugiu para Aruanã?

Não. Eu fiquei uma semana em um hotel de Caldas Novas só tomando cerveja e fumando maconha. Quando o dinheiro acabou eu voltei para pegar mais.

Pegou dinheiro com sua mãe?

Não vendi uma arma por R$ 2 mil e ia fugir de novo.

Voltaria para Caldas Novas

Não. Meu rosto está estampado pra tudo quanto é lado. Ia fugir pro meio do mato porque mais cedo ou mais tarde a polícia ia me pegar mesmo.

(Entrevista: Thyago Henrique)