Anápolis: Polícia Civil reconstitui atropelamento que teria dilacerado nádegas de jovem

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Reconstituição  do crime
Reconstituição do crime em Anápolis

Delegada disse que havia massa
asfáltica na pele da vítima no dia
do acidente. Na época, a corporação
apurava se ex-companheiro
a teria agredido com faca.

A Polícia Civil fez a reconstituição nesta segunda-feira (13), do acidente que teria causado o dilaceramento das nádegas de uma jovem de 21 anos, em Anápolis, a 55 km de Goiânia. Segundo a delegada responsável pelo caso, Aline Vilela, a hipótese mais provável é que a vítima tenha realmente sido atropelada, e não agredida pelo ex-companheiro como se suspeitava inicialmente.

O trânsito na Avenida Pedro Ludovico foi desviado para que a reconstituição pudesse ser feita. Testemunhas e policiais estiveram no local e usaram um boneco para simular o papel da vítima. Após a ação, a principal linha de investigação voltou a ser a de atropelamento. Segundo a delegada, a médica que fez o primeiro atendimento da vítima disse que havia vestígios de massa asfáltica nas nádegas dela.

“Nós conseguimos fotos de como ela chegou ao local e a lesão que ela possuia não era compativel com arma branca. Tinha massa asfáltica na lesão e tudo leva a crer no acidente de trânsito”, disse a delegada.

O acidente aconteceu na noite de 19 de agosto do ano passado. A vítima usava roupas escuras, o que dificultou a visão dos motoristas que passavam pelo local. As testemunhas que participaram da reconstituição contaram que, pelo menos, três carros atropelaram a jovem.

Os jovens disseram ainda que passavam pelo local quando viram a vítima caída no chão. Eles atravessaram o carro na avenida para evitar que novos veículos atingissem a mulher e pediram socorro para a vítima. Agora, a Polícia Civil tenta identificar os motoristas que atropelaram a jovem.

Vítima ficou seis meses internada
Vítima foi internada em estado grave por conta das lesões provocadas nas nádegas

A lesão aconteceu no dia 19 de agosto do ano passado, quando a jovem foi internada em estado grave no Hospital de Urgências de Anápolis (Huana). Na época, a Polícia Civil investigava a agressão por parte do ex-companheiro da vítima e um possível acidente de trânsito.

Um tio da vítima disse que o ex-marido era violento e já havia ameaçado a vítima. Entretanto, a jovem negou a agressão. “Ela contou que estava na casa do ex-marido e que os dois fizeram consumo de bebidas alcoólicas. Após uma discussão, ela saiu e o deixou na casa. Quando estava na rua, foi atingida pelo motorista, que fugiu do local sem prestar socorro”, contou Aline Vilela na época.

A jovem foi internada em estado grave no Hospital de Urgências de Anápolis (Huana), no dia 19 de agosto passado. Em função das lesões, ela foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu até o dia 11 de setembro. Depois disso, continuou internada na enfermaria da unidade à espera de uma vaga em um hospital público especializado no tratamento que precisa. A vaga saiu no dia 22 de outubro, quando ela foi transferida para o HGG.

Em novembro, ela passou pela primeira cirurgia de reconstituição. O procedimento durou três horas e foi considerado um sucesso pela equipe médica. “Foi uma cirurgia muito bem-sucedida. A expectativa é de que ela tenha uma ótima recuperação”, disse na época o chefe da Seção de Cirurgia Plástica do HGG, Sérgio Augusto da Conceição.

Para a realização do procedimento, foi retirada pele da parte de trás das coxas e colocada nas nádegas. De acordo com o cirurgião, com esse processo, foi possível cobrir 100% da área dilacerada. Ainda durante o procedimento, foi utilizado um aparelho para aumentar as chances de sucesso no enxerto. “O aparelho faz um vácuo entre a pele e o enxerto, aumentando a adesão da pele na área das nádegas e diminuindo as chances de rejeição”, explicou o médico.

No HGG, a jovem foi atendida por uma equipe multidisciplinar, com psicóloga, nutricionista, fisioterapeuta e fonoaudiologista. “Ela tem acompanhamento com essas especialidades por já estar a muito tempo internada. Teve que fazer uma traqueostomia em Anápolis, além do grande trauma que ela sofreu” disse Rogéria Cassiano, diretora de serviços multidisciplinares do hospital.

Ela recebeu alta médica no dia 17 de março, após quase sete meses de tratamento. Segundo o chefe da área de cirurgia plástica da unidade, Sérgio Augusto da Conceição, a ferida foi fechada, mas a jovem ainda deve passar por novos procedimentos.

Conforme explicou o cirurgião, ela ainda necessita uma cirurgia de reparação no intestino, pois a lesão também afetou as funções do reto da paciente. A previsão é de que o procedimento ocorra em cerca de um mês. Depois, de acordo com a recuperação, será realizada outra cirurgia para reconstituição das nádegas. Apesar disso, o estado da jovem é considerado muito bom. “Ganhou peso, está ótima clinicamente e psicologicamente”, afirma.

Fonte: G1 / GO