Polícia Civil regista queda em arrombamentos de caixas eletrônicos em Goiás

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Caixa eletrônico destruído em Aparecida de Goiânia

Caiu drasticamente o número de arrombamentos de caixas eletrônicos em Goiás. A constatação é do delegado Valdemir Pereira da Silva, chefe do Grupo Antiassalto a Bancos (GAB) da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), responsável pela investigação desta modalidade criminosa. Em abril deste ano foram registrados 20 tentativas de roubo, furto ou de furto ou roubo de caixas eletrônicos em Goiás com o uso de artefatos explosivos. Em agosto, foram apenas dois casos. Em julho, conforme o POPULAR noticiou na época, 13 pessoas foram presas suspeitas de serem responsáveis por 80% das explosões em caixas eletrônicos no estado.

O chefe da quadrilha preso em julho, Newton Moreira da Silva, o Alemão, é um dos assaltantes mais procurados do país e tinha como base a cidade de Anápolis, onde morava com a família. Natural de Oeiras, no Piauí, Newton é metalúrgico e disse que começou a roubar bancos depois que foi demitido. Em 2007, foi responsável por uma série de roubo a bancos em Minas Gerais. Durante a fuga, usou tática militar e acabou escapando do cerco das polícias de Minas Gerais, Goiás e de São Paulo no Triângulo Mineiro.

Com a prisão da quadrilha dele, o número de furtos e roubos a caixas eletrônicos com uso de explosivos diminuiu, mas o delegado revelou que outras duas ou três quadrilhas ainda estão em ação no estado. “São integrantes remanescentes de bandos que já prendemos se juntando para formar novas quadrilhas”, disse. Cada quadrilha tem, em média, segundo o delegado, de seis a sete integrantes.

Os grupos têm praticado o que a polícia chama de novo cangaço. Na entrada da cidade, usando carros roubados e potentes, armas de grosso calibre o bando rende funcionários ou moradores e as leva como reféns até a agência bancária onde o roubo vai acontecer. No caminho, vários tiros são disparados, provocando terror entre os moradores. As cidades pequenas são as preferidas das quadrilhas, onde há pouco efetivo policial. Nos casos em que as quadrilhas não conseguiram levar o dinheiro, ficou registrada a destruição das agências, postos bancários ou da loja onde o caixa eletrônico estava instalado.

Foi nessa modalidade de novo cangaço que assaltantes invadiram Vicentinópolis, cidade do sul do estado, a 176 quilômetros de Goiânia, na semana passada. A quadrilha chegou na cidade em vários carros e rendeu cinco pessoas em um posto de combustíveis na entrada da cidade. Os reféns foram levados até a porta do Banco do Brasil, no Centro.

Parte da quadrilha entrou na agência, instalou explosivos nos caixas eletrônicos enquanto o restante fazia a vigilância do grupo e segurava os reféns, que foram libertados apenas após o assalto, na rodovia pela qual o bando fugiu levando o dinheiro. A quantia não foi revelada.

Silva explica que nem todos os caixas eletrônicos são dotados de um dispositivo que, em caso de violação, seja por explosão ou outro meio, despeja tinta nas notas, impossibilitando seu uso. Segundo ele, os bancos tem colocado o dispositivo como meio de prevenir que o dinheiro seja usado.

Por parte da polícia, o monitoramento dos remanescentes das quadrilhas já presas tem sido feito e evitado algumas ações de bandidos. Ele conta que o GAB/Deic prendeu nos últimos dias integrantes de uma quadrilha que pretendia assaltar em Pires do Rio, em Rio Verde, em Guapó e duas vezes em Campinorte.

Nas duas últimas semanas, várias assaltantes de caixas eletrônicos e de bancos foram presos pelas equipes do GAB/Deic, inclusive um grande assaltante de banco procurado em vários estados. Ele foi preso no Maranhão e estaria planejando mais ações em Goiás e no Pará.

Fonte: O Popular
Texto: Rosana Melo
Foto: Sebastião Nogueira