Valto Buzina, envolvido o assassinato do ex-Vice-Prefeito de Anicuns, vai para a cadeia

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Valto Buzina participou do assassinato de Paulo Brito

A Polícia Civil prendeu na manhã de ontem (19.02) o último envolvido no assassinato do ex-vice-prefeito de Anicuns, Paulo Alexandre de Almeida Brito, ocorrido em 7 de janeiro de 1998, em Goiânia. Valto Francisco Vieira, o Valto Buzina – condenado a 15 anos pela participação no crime -, teve o mandado de prisão decretado em agosto do ano passado pelo juiz da 14ª Vara Criminal de Goiânia, Lourival Machado da Costa, e, desde então, encontrava-se foragido.

“Ele já começa a cumprir a pena a partir de hoje (ontem), em regime fechado, devendo ser encaminhado à Penitenciária Coronel Odenir Guimarães (POG)”, explicou, em entrevista coletiva, a titular da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), Adriana Ribeiro. Segundo a delegada, a prisão de Valto foi demorada em função da sua frequente mudança de endereço, tanto em Anicuns quanto na capital. Ontem, policiais conseguiram, enfim, cumprir o mandado, quando ele levava o carro para uma lavagem rápida em um posto de combustível na Avenida 85, próximo ao Campo do Goiás, no Setor Bueno.

 Família

Fabrício Antônio Almeida de Brito, advogado, irmão do ex-vice-prefeito de Anicuns assassinado, comemorou a prisão de mais um dos mandantes do crime. “É o fim de uma luta e o começo de uma outra etapa”, declarou, em entrevista por telefone, referindo-se à nova batalha da família, para que as penas dos condenados sejam cumpridas integralmente. “O justo, no mínimo, é que assassinos cumpram toda a pena que lhes é imposta. Embora a ferida tenha fechado, a cicatriz permanece; temos de aprender a conviver com essa dor”, lamentou.

O advogado questiona, ainda, o fato de os policiais militares envolvidos na morte de seu irmão não terem sido expulsos da corporação. E desabafa: “Os policiais não foram expulsos, continuam sendo remunerados, com dinheiro público, e a família Buzina continua no poder, em Anicuns, debochando da Justiça… Até quando?”

De acordo com a delegada Adriana Ribeiro, no momento da prisão, Valto Buzina havia acabado de deixar, nas proximidades, a casa do irmão, Francisco Alves Neto, o Chico Buzina, também sentenciado e apontado como um dos mandantes do assassinato de Paulo Brito. “Por causa de seu estado de saúde debilitado, Chico Buzina – condenado pela Justiça a 17 anos de prisão – conquistou o benefício da progressão e cumpre pena em regime domiciliar. Valto visitou o irmão antes de ir para o posto”, detalhou a titular da DIH.

Crime político

Assim como Francisco Alves Neto, Valto Francisco Vieira foi denunciado como sendo um dos mandantes do crime, concretizado há 15 anos. A morte de Paulo Brito – então vice-prefeito de Anicuns, na mesma chapa que elegeu Valto prefeito – teria sido motivada por disputa política entre a vítima e a família Buzina, no município. Essa foi a tese sustentada pela acusação durante o julgamento de Valto Buzina pelo 2º Tribunal do Júri de Goiânia, realizado em 24 de fevereiro de 2011, que culminou na condenação do réu a 13 anos de prisão.

Após recurso da defesa, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) optou por acolher recomendação do Ministério Público (MP) e aumentou em mais dois anos a pena de Valto. A decisão já transitou em julgado – o que significa que não cabe mais nenhum tipo de recurso -; daí, a expedição do mandado de prisão contra o ex-prefeito de Anicuns.

Entre a família Buzina – bastante conhecida no município -, não foram apenas Chico e Valto, durante as investigações da polícia, os suspeitos da morte de Paulo Brito: Valtuir Francisco Vieira também foi denunciado como um dos mandantes do assassinato; contudo, não chegou a ser julgado, por falta de provas quanto à sua participação no caso.

Outro envolvido no homicídio é o pistoleiro Joseano Batista dos Santos, que matou o vice-prefeito e cuja sentença condenatória foi de oito anos de prisão – que, atualmente, ele cumpre em regime semiaberto. De acordo com a denúncia do MP, o policial militar Izaías Clementino Barbosa foi quem agenciou o crime, com a ajuda do irmão, Iraí Liberato Barbosa, também policial militar. O primeiro foi condenado, em 2008, a 15 anos de prisão; o segundo, a 13 anos, em sentença proferida no dia 26 de março de 2009.

Execução foi em 1998

Paulo Alexandre de Almeida Brito foi morto no dia 7 de janeiro de 1998, aos 28 anos de idade, em frente ao apartamento em que morava, no Setor Oeste, em Goiânia. Advogado, à época, ele era vice-prefeito de Anicuns.

O Ministério Público (MP) denunciou seis pessoas por envolvimento no homicídio, das quais cinco foram condenadas, entre eles, dois ex-prefeitos de Anicuns: Francisco Alves Neto, o Chico Buzina, e seu irmão Valto Francisco Vieira. Apenas Valtuir Francisco Vieira foi inocentado.

Chico Buzina e Valto foram apontados como mandantes do assassinato de Paulo Brito. O primeiro já cumpriu parte da pena de 17 anos de prisão e está no regime aberto. Valto começou ontem a cumprir a pena de 15 anos de reclusão. Ambos são irmãos do atual prefeito de Anicuns, Manoel Vicente Vieira.

O pistoleiro Joseano Batista dos Santos foi sentenciado a oito anos de prisão. Segundo o MP, ele foi agenciado para cometer o crime pelo policial militar Izaías Clementino Barbosa (condenado a 15 anos), que teria contado com ajuda do irmão, o também policial militar Iraí Liberato Barbosa (cuja pena foi de 13 anos).

Irmãos Buzina tiveram nomes relacionados a outros homicídios

Irmãos do atual prefeito de Anicuns, Manoel Vicente Vieira (PSD), e ex-administradores da cidade, Valto Francisco Vieira e Francisco Alves Neto – conhecidos, respectivamente, como Valto e Chico Buzina -, tiveram seus nomes envolvidos em casos de homicídios na cidade. O mais antigo deles ocorreu em 1980, quando o chacareiro Olício Antônio do Couto foi assassinado. Acusado de ser o mandante, Chico chegou a ser condenado a 16 anos de prisão. Ele também respondeu processos relacionados a outros homicídios.

Anos depois, em 2000, Valto chegou a ser preso durante seu mandato de prefeito no decorrer das investigações da morte de seu vice, Paulo Alexandre de Almeida Brito, ocorrida em 1998. Na época, a família da vítima atribuiu a motivação do assassinato às diferenças políticas entre os dois. Paulo Brito era apontado como possível futuro candidato a prefeito da cidade.

 

Fonte O Popular
Texto: Patrícia Drummond
Foto: Cristiano Borges