Polícia Civil: DECON prende três comerciantes em ação contra ‘gatos’ de energia em GO

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Delegados Frederico Dias e Eduardo Prado falam do resultado da operação

Uma operação contra ligações de energia clandestinas, conhecidas como “gatos”, resultou na prisão de três comerciantes em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana, e na capital. “Essa prática criminosa gera um prejuízo mensal de R$ 13,5 milhões para a Celg [Companhia Energética de Goiás] e em tributos para o estado. E, no fim, quem também paga essa conta é o consumidor”, destacou o delegado Eduardo Prado, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (DECON).

A ação, denominada “Apagão”, fiscalizou sete estabelecimentos comerciais no dia 23 de março. Em quatro locais, que ficam nos bairros Morada do Sol e Parque Tremendão, em Goiânia, e no Jardim Maria Inês e Colina Azul, em Aparecida, os policiais encontraram os “gatos” de energia. Em um dos locais, os agentes precisaram quebrar paredes para identificar as irregularidades.

Três responsáveis pelos locais foram presos em flagrante. O quarto não foi localizado, mas será indiciado ao longo do inquérito policial. Dois dos detidos pagaram fiança e foram liberados ainda na segunda-feira. Já o terceiro segue preso, pois, além do “gato” de energia, também comercializava produtos fora da data de validade e sem condições de armazenamento para consumo, no Parque Tremendão.

“Nesse local, além do furto de energia, encontramos os produtos vencidos, carnes mal acondicionadas em temperatura acima do ideal e sem procedência. Sendo assim, a Vigilância Sanitária interditou o estabelecimento e recolheu os produtos, que foram descartados em um aterro sanitário”, explicou o delegado-adjunto da DECON, Frederico Dias Maciel.

Um vídeo gravado pelos policiais mostra o momento em que o supermercado foi vistoriado. Nas imagens é possível ver os produtos vencidos. “Além disso, mesmo furtando a energia, os freezers que o comerciante possuía não tinham as devidas condições de uso”, ressaltou Maciel.

O delegado ressaltou que os quatro comerciantes vão responder pelo crime de furto. O dono do supermercado, que vendia produtos vencidos, também foi autuado por expor à venda mercadorias impróprias para o consumo.

Prejuízos ao consumidor
A Celg explicou que, do prejuízo mensal de 13,5 milhões, R$ 9 milhões voltam para as faturas dos consumidores. “Essas ações geram prejuízos, sendo R$ 4 milhões ficam a cargo da Celg, e o restante são os consumidores que acabam pagando nas faturas, pois eles são embutidos nos valores do fornecimento de energia e do custeio dos serviços de recuperação dos sistemas”, disse o gerente de comercialização, Leandro Chaves de Melo.

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Vídeo gravado pela polícia mostra a descoberta das ligações clandestinas

Melo ressaltou, ainda, que as ligações clandestinas de energia geram inúmeros riscos. “As fraudes sempre são cometidas com instalações improvisadas. Não seguem rigores normativos. Então existem riscos de incêndios, causados por mau contato ou curto-circuito, e até a própria morte da pessoa que está manuseando os fios. Ou seja, não compensa o risco em troca de receber uma fatura de energia menor”, destacou.

O gerente explica que a companhia tem 25 funcionários responsáveis por fiscalizar esse tipo de fraude, tanto em estabelecimentos comerciais quanto residências. Ele admitiu que o serviço precisa de reforço.

“A Celg tem essa equipe que atua em todo o estado, em quantitativo ainda não expressivo, mas que faz fiscalizações rotineiramente em comércios e casas. Eles conseguem identificar algumas fraudes e os valores são cobrados retroativamente de quem fez o gato. Mas a gente tem um projeto, que está sendo finalizado, em que vamos agregar mais 45 equipes em todo o estado para reforçar essa fiscalização”.

A DECON ressaltou que a fiscalização vai continuar e que, além dos comércios, os policiais passarão a visitar residências. “O nosso objetivo inicial é alertar as pessoas que o furto de energia elétrica é crime. Sendo assim, não vamos tolerar esse tipo de irregularidade e quem for flagrado será preso”, concluiu.

Fonte: G1 Goiás
Foto: Diário de Goiás e Reprodução TV Anhanguera