Judô: Agente da Polícia Civil comanda trabalho de inserção social na região noroeste

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Eubson Miranda Monteiro

O agente da Polícia Civil, Eubson Miranda Monteiro, faixa preta de judô, lotado no 12º DP, no Setor Balneário Meia Ponte, comanda, há quatro anos, um trabalho esportivo de combate à criminalidade e inserção social, na região noroeste da capital, por meio da ONG Oprocef – Fazer o Bem. O trabalho se baseia na aplicação de aulas de judô e de música, em escolas públicas da região. Presidente da ONG e supervisor técnico das instruções ministradas, Eubson explica que durante as aulas são explorados o conceito do judô e a conduta moral – cordialidade, respeito e disciplina – ajudando no fortalecimento do caráter.

“Hoje, o mercado de trabalho exige uma boa relação humana, uma forte questão no que diz respeito a relações interpessoais, que é cordialidade, respeito e disciplina, uma das principais formas de explorar as relações humanas. Hoje, a pessoa, independente da sua formação, se não exercer uma relação interpessoal forte, ela não para em lugar nenhum, grupo nenhum aceita, então o nosso trabalho também é de inserção social através dos preceitos do judô e democratização do esporte porque o judô é o esporte individual que mais traz medalhas para o Brasil”, afirma.

Atualmente, as aulas são realizadas em cinco colégios da região Noroeste (Escola Estadual Finsocial, Escola Estadual Ary Ribeiro, Escola Municipal Recanto do Bosque, Escola Municipal Marco Antônio – Setor Estrela Dalva e Escola Robinho – Jardim Nova Esperança), todas elas sem vínculo com denominação religiosa e nem denominação política.

As aulas atendem diversas crianças e adolescentes de baixa renda (entre cinco e 19 anos), que realizam diversas atividades. “Nós praticamos 200 flexões de braço, 80 abdominais e 600 polichinelos, trazendo o hábito da atividade física. Assim sendo, tornando impossível o uso de narcóticos, de drogas pela atividade física, porque hoje os estudiosos dizem que o alicerce do aumento de criminalidade é narcodependência e a gestação prematura”, explica.

Ele observa que existe um segmento dentro da criminologia chamado análise criminal, que fundamentou a narcodependência, o uso de droga e a gestação prematura como alicerce do aumento do índice de criminalidade e a atividade física. O presidente da ONG diz que a atividade física inibe o consumo de drogas porque fica humanamente impossível praticar atividade física regular, sendo que são quatro horas de treino por treino, totalizando 16 horas por semana.

“A criança treina, faz um Mokuso (meditação), baixa a ansiedade, desacelera a atividade cerebral, pratica o esporte, vai para casa cansada porque são quatro horas por treino, toma um banho, come e dorme, o sono é metabólico. No outro dia, ela vai pra escola com a capacidade de absorção do conteúdo maior, é inserção social”, afirma.

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Professor Eubson, ladeado por crianças da comunidade

Aula em japonês agrega cultura
Outro foco aprendido durante as aulas é a cultura. O supervisor diz que as crianças e adolescentes começam o treino com o Mokuso (meditação), em que é explorada a respiração e, a partir daí, abaixa a atividade cerebral e o nível de ansiedade, sendo que depois existe a prática das técnicas. A aula é toda em japonês, agregando cultura.

Além disso, o projeto é profissionalizante no que condiz a convenio com Senai e Senac, e com a uma famosa marca de bebidas, que oferta cursos, além de também ser cultural e educacional. “Cultural porque nós também estamos implementando a teoria musical, a música faz parte da formação intelectual do ser humano. E educacional, temos um grupo de professores que passam a dar aulas de reforço para aqueles que querem”.

O trabalho da ONG também possui foco social, pois no ano passado 80 alunos se apresentaram para lojistas de um grande shopping da Capital. “Ele (o shopping) tem uma responsabilidade social com o segundo setor, e acreditou no nosso projeto”.

O projeto existe há quatro anos e teve início quando o presidente deixou de dar aulas em academias particulares para as escolas públicas, nas quais começou a ministrar aulas voluntariamente. Ele afirma que a consequência desse trabalho é aumento das notas escolares. “Na verdade, a prática do esporte é um alicerce para construir hábitos angulares. Através da prática do esporte, constrói o hábito de leitura bíblica, compreensão e prática bíblica. Constrói o hábito angular”, diz.

O supervisor afirma que além dele, que ministra as aulas de judô, a ONG possui dois pedagogos, sendo um na linha da pedagogia positiva, que é como aprender e outro como ensinar. Compõe a equipe também um advogado e um odontopediatra. O trabalho desse grupo já foi divulgado em diversos locais, inclusive fora do País, em países como: Portugal, Itália, Espanha, França e Grecia.

Texto: Saulo Humberto Da editoria de Cidades – Diário da Manhã
Foto: Diário da Manhã