Policial e outros sete membros de quadrilha são presos pela Corregedoria da Polícia Civil

925
A quadrilha presa pela Polícia Civil. De terno, o Delegado Jandison Bernardo

Um esquema de fraude bancária que desviava precatórios de pessoas mortas foi descoberto pela Polícia Civil do Estado de Goiás na última quarta-feira (14/3). No total, oito pessoas foram presas pelos crimes de falsidade ideológica, estelionato e formação de quadrilha. Entre os suspeitos estão um policial civil, um funcionário da Receita Federal e um servidor da Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan) que prestava serviços ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em uma unidade do Vapt Vupt da capital. Todos foram acusados ainda de quebra de sigilo funcional. Juntos, eles roubaram pelo menos R$ 3,5 milhões em São Paulo e em Manaus e são suspeitos de fraudar também o último concurso do Senado Federal.

De acordo com os delegados Jandison Bernardo da Silva e Lucas Braga, da Corregedoria da Polícia Civil, o esquema foi descoberto por meio de denúncia. A testemunha, que está sendo preservada, enfatizou o envolvimento do Policial Civil, Francisco de Paula e Silva, de 39 anos, que trabalhava no 20º Distrito Policial de Goiânia.  Atualmente, ele estaria usando uma licença médica que a Polícia Civil acredita ser falsa. A Operação Mortos Vivos teve início há três meses e o grupo foi investigado com quebra, inclusive, de sigilo telefônico.

Além do policial, foram presos ainda o candidato a vereador de Goianésia, Rosevaldo Raimundo Canedo, 39; o filho do ex-prefeito de Aruanã, Leobino José Nunes Neto, 38; o servidor da Segplan, Nelson Pereira da Silva, 46; o funcionário da Receita Federal, Teodorico Soares do Amaral, 56; Ronecleiton Charles Netto, 32; Leila Assis e José Neto de Andrade, 38. Por fim, o sogro de Ronecleiton foi detido porque portava uma arma de forma ilegal quando foi abordado.

Provas documentais, arma e celulares apreendidos em poder da quadrilha

Esquema

Segundo o delegado Lucas Braga, os suspeitos trabalhavam da seguinte forma: Os funcionários da Receita e da Segplan tinham acesso a lista de pessoas mortas, sem familiares próximos e que tinham precatórios para receber. O dinheiro é geralmente superior a 60 salários mínimos por beneficiário, devida pela Fazenda Pública, em face de uma condenação judicial

Ronecleiton era responsável pela falsificação de documentos e eles contavama ainda com a ajuda de gerentes da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Os gerentes modificavam o status das vítimas como se não estivessem mortas. Em nomes falsos, abriam contas bancárias e faziam a transferência do dinheiro. Em São Paulo o bando realizou três golpes de R$ 300 mil e em Manaus, um golpe de R$ 2 milhões.

“É impossível praticar golpes dessa forma sem que haja a ação do gerente porque geralmente os documentos não são perfeitos e o óbito pode aparecer na tela.”, afirma Jandson Bernardo da Silva. O delegado informou ainda que dois gerentes de São Paulo já foram identificados.  Com o dinheiro, os suspeitos compravam casas, carros, fazenda e um deles possui inclusive, uma criação pequena de gados. Como as fraudes ultrapassam as fronteiras do Estado, e há envolvimentos de bancários da Caixa e do Banco do Brasil, a Polícia Federal deve entrar no caso.

Passaporte do Policial Civil e notas de R$ 50 falsas apreendidas

                        Fraude em concurso

O policial Francisco de Paula e a única mulher do bando, identificada como Leila, prestaram o último concurso para o Senado Federal realizado no último domingo (11/3). De acordo com o delegado Lucas Braga, eles compraram o gabarito de outro cargo, que não era o que se inscreveram. Ainda assim, o caso deve ser analisado.

                                     Defesa

Em entrevista, o policial se defendeu e disse que não está envolvido com os crimes pelo qual está sendo investigado. Ele argumentou que teria um escritório de contabilidade em Brasília, no Distrito Federal, e prestaria assistência para quem tem precatório para receber. Sobre a prova do Senado, ele confirma a inscrição na prova, mas diz que estudou e não comprou nenhum gabarito.

 

Texto: Catherine Moraes
Fotos: Demian Duarte
Fonte: Site A Redaçao