Portal da Polícia Civil faz o registro das histórias escritas no livro Mulheres de Delegacia

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Natalina Maia Rodrigues

Começa hoje(16), a veicular no portal da Polícia Civil as histórias das 32 homenageadas no livro Mulheres de Delegacia. Todos os dias uma nova história será postada. Assim, quem não teve a oportunidade de adquirir o livro, poderá conhecer seu conteúdo através do portal.

Hoje a história que será divulgada será da 1ª delegada do Brasil, Natalina Maia Rodrigues. Acompanhe!

Geralda Ferraz – Escrivã de Polícia

A história da pioneira

Natalina Maia Rodrigues

 

“Ela resumiu em uma palavra o que caracterizou sua carreira: pioneirismo.”

 

Natalina Maia Rodrigues nascida em 12 de setembro de 1930, na cidade de Serranópolis, foi criada em Mineiros, onde cursou os primeiros anos de escola. O ginásio, atual Ensino Fundamental, cursou na cidade de Goiás, no tradicional Lyceu e fez o curso de Contabilidade, na Escola Comercial da Associação Comercial de Goiás. Em dezembro de 1961, concluiu o curso de Direito, como integrante da 2ª turma da Universidade Federal de Goiás. Casou-se, teve uma filha, que lhe deu duas netas e um bisneto. É viúva há 43 anos.

 Entrou para os quadros da Polícia Civil de Goiás através de concurso, no ano de 1963. Foi a 1ª mulher delegada de Goiás e do Brasil. O fato dela ter alcançado este feito, na época, fez com sua conquista servisse de referência para outras mulheres, de outros estados brasileiros, que não conseguiam ser efetivadas. A sua nomeação serviu de subsídios para as Polícias Civis de vários Estados, entre eles a Polícia Civildo Paraná e de Minas Gerais.

 A Corregedoria da Polícia foi o seu primeiro local de trabalho, era delegada adjunta.  Sua presença, sendo mulher, causava estranheza nos colegas policiais, fossem eles agentes ou delegados. Ela lembra que logo no início ouviu o seu chefe, conversar com o delegado Jurandir Rodovalho sobre a sua presença na corregedoria e dizer para o delegado que não sabia o que fazer com a “moça”. O delegado, na ocasião, foi enfático: “- a moça é uma delegada de polícia, dê serviço a ela!”.  Foi lotada no Plantão Geral, o que hoje representaria a Supervisão e todas as Centrais de Flagrantes de Goiânia funcionando juntas.

 A delegada sentiu o peso do desafio: no 1º plantão foram realizadas 40 apreensões por porte ilegal de arma, 1 suicídio e 1 homicídio. Significava dizer que para ser respeitada, ela teria que realizar o trabalho sem reclamar. À época a sobrecarga de trabalho só foi revista depois que um procurador do Estado observou que aquele volume de trabalho não era comum a todos os delegados. Natalina agia com inteligência, porque se reclamasse, a atitude serviria  de argumentos para que a instituição policial repensasse a capacidade da mulher no espaço do trabalho policial, desqualificando-a. O melhor a fazer era executar o trabalho o melhor que podia, com lisura e  disciplina, para que não fosse alvo de questionamentos.

 Sua atuação, certamente, serviu de modelo para que outras mulheres ocupassem mais tarde o lugar que naquele momento era privilégio e responsabilidade dela.  Ela sabe que a sua escolha profissional fez com que pagasse um preço alto, sendo discriminada por homens e mulheres. Natalina aposentou-se no dia 30 de novembro de 1981. Ela resumiu em uma palavra o que caracterizou sua carreira: pioneirismo. E é em consequência deste pioneirismo que ela guarda reportagens e homenagens. São dezenas em Goiás, nas cidades de Catalão, Mineiros e Goiânia, e nos estados do Paraná, Rondônia e Mato Grosso.