Presos nove integrantes de uma quadrilha especializada em explodir caixas eletrônicos

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Quadrilha presa pela Polícia Civil

Quadrilhas preferem terminais bancários no interior do Estado, onde policiamento é menos intensificado

A Delegacia Estadual de Investigação Criminal (Deic) e o Grupo Antirroubo a Bancos (GAB) apresentaram, em coletiva à imprensa, na manhã de ontem (19.03) nove integrantes de mais uma quadrilha desarticulada pela investigação policial. Os suspeitos são especializados em assaltos a caixas eletrônicos em cidades do interior do Estado. Existe também a suspeita de serem autores de roubos a bancos em cidades do interior de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A quadrilha se caracteriza por utilizar grande arsenal de armas e explosivos, além de táticas para dificultar a ação da polícia.

Desde o ano passado, os assaltos a agências bancárias do interior do Estado têm se intensificado, tornando-se uma modalidade recorrente o uso de fortes armamentos e munições, além de explosivos. Em contrapartida, os assaltos às congêneres localizadas na Capital têm sofrido relativa queda no mesmo período, o que leva a crer que o forte policiamento e ações investigativas e de prevenção têm inibido os assaltos em Goiânia, levando as quadrilhas a optarem por ações nas agências pouco policiadas do interior.

De acordo com informações da Polícia Civil (PC), a quadrilha presa ontem é formada por 22 pessoas. Marco Túlio Teixeira Cascão, o “Mineiro”, Francisco Filho Barbosa, o “Chico”, Paulo Roberto Batista de Moura, Leandro Lagares da Silva, vulgo “Badoquim”, João Paulo Bruno, vulgo “Amarelinho”, Francisco José dos Santos, o “Paulista”, Paulo Augusto Oliveira Carvalho, o “Neguim” e Fernando Alves Mota, vulgo “Primo”, foram presos na ação da Deic. Eles têm passagens na polícia ou estão foragidos da Justiça. Os demais integrantes já foram identificados e estão sendo monitorados. A Deic acredita que suas prisões poderão ocorrer nas próximas horas.

Outros estados

Segundo a Deic, o grupo foi preso na sexta-feira passada, 15, em um posto de combustível no Setor Jardim Guanabara, na Capital, enquanto abastecia os carros utilizados na ação. Investigações preliminares apontam o bando como autor de 29 arrombamentos e roubos a agências bancárias, casas lotéricas e grandes empresas em cidades de Goiás, entre janeiro e março deste ano, e há suspeitas de que sejam também responsáveis por outros 15 assaltos em unidades da Federação, a exemplo de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

As investigações já haviam se iniciado há pelo menos dois meses com os assaltos em Goianésia (21/02), Itapaci (26/02) e Arizona (09/03) atribuídos ao bando. Com a abordagem e a consequente prisão dos criminosos, ontem, foram evitados dois outros assaltos já agendados para os próximos dias nos municípios de Padre Bernardo e Barro Alto, a 246 km e 249 km da Capital, respectivamente.

Arsenal

A Deic apreendeu várias armas de diversos calibres que estavam em poder dos assaltantes, a exemplo de um fuzil AR 15, duas escopetas, duas submetralhadoras e sete pistolas de uso restrito das Forças Armadas (todas municiadas e com farta munição extra), além de seis coletes à prova de balas, balaclavas (tipo de capuz), rádios comunicadores, celulares, onze bananas de dinamite e seis veículos utilizados nas ações. Duas caminhonetes Chevrolet S-10, um Ford Focus, um VW Cross Fox, um Honda Civic e um Honda City. Segundo a delegacia especializada, eles seriam veículos furtados e com documentação alterada. Até uma corrente de aço revestida com fita isolante foi apreendida. Ela era utilizada para fechar o portão dos regimentos militares e dificultar ou impedir a saída dos policiais.

Os integrantes do bando permanecem presos na Deic e estão à disposição da Justiça, desde a sexta-feira passada, 15. Eles serão indiciados por crimes de formação de quadrilha, roubo, furto qualificado, receptação e porte ilegal de arma de fogo e explosivo. Se condenados, poderão pegar até 30 anos de prisão em regime fechado, inicialmente.

Desde que a prisão dos bandidos foi efetuada, não há registro de roubos a bancos no Estado. A PC acredita que a quadrilha está desarticulada, mas não descarta a possibilidade de novas ações futuras de bandidos, uma vez que os integrantes de quadrilhas deste tipo costumam migrar para outras já existentes, formar novos bandos, mudar o foco de ação (roubo de veículos e tráfico de drogas, por exemplo), ou mesmo atuar em outra região, o que dificulta a repressão a essas ações criminosas.

Modus operandi

De acordo com Bruno César Rocha, do Grupo Antirroubo a Bancos (GAB), não somente a quadrilha presa e desarticulada, ontem, mas também outras que utilizam o mesmo “modus operandi” agem preferencialmente no interior do Estado em razão da fragilidade da segurança destes locais, onde o contingente reduzido de militares dificulta a ação de uma patrulhamento mais ostensivo. “Muitas vezes as cidades contam apenas com duas viaturas com dois policiais cada para fazer a ronda. Isto favorece os bandidos, que têm mais armas e estão mais bem equipados”, comentou.

Ainda de acordo com ele, há pelo menos três anos, o GAB faz o mapeamento dos casos de roubos, furtos e atentados a instituições financeiras no Estado e a escalada dos casos se deve à entrada ilegal de armas pelas fronteiras e o fato de Goiás ser um Estado que agrega muitas riquezas e grande volume de transações financeiras.

Segundo o GAB, as quadrilhas são bem articuladas e organizadas internamente com divisão de tarefas que vão desde o empenho em furtar veículos para serem utilizados nas ações criminosas, traficar drogas, que serão depois vendidas ou trocadas por armas e munições, até o monitoramento da segurança pública dos municípios e da agência bancária a ser assaltada. Segundo a PC, o bando, antes de pôr seu plano em ação, obtém informações sobre os contingentes militares e suas rotinas. Durante a ação, costumam fazer barricadas nos destacamentos policiais e render os funcionários das agências, além de serem adeptos de certa prática terrorista com disparos de fuzis para o alto.

Cordéis detonantes, aparatos de detonação e bananas de dinamite são, por sua vez, subtraídos ou desviados de empresas de mineração, sobretudo do Sudoeste de Goiás, mas há registros de material originário de outros Estados, segundo informação do GAB.

Casos
A primeira explosão a caixa eletrônico em Goiás foi em junho de 2010. Desde então, casos de furtos, roubos e tentativas – quando não conseguiram levar o dinheiro – já chegam a 153 situações.

Fonte:Diário da Manhã
Texto: Joaquim Munduruca
Foto: André Costa (O Hoje)