Presos suspeitos de execuções de moradores rua. Mortes teriam ligações com dívidas de drogas

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Com as prisões,
Polícia Civil

reforça a tese
de que série de

crimes contra
moradores de

rua está ligada
a dívidas

com traficantes

No mesmo dia em que a série de assassinatos de moradores de rua atingiu o estrondoso número de 30 vítimas em oito meses na Região Metropolitana de Goiânia, a Polícia Civil apresentou três homens suspeitos de envolvimento em pelo menos seis mortes e uma tentativa de homicídio. Um quarto integrante do bando, de acordo com as investigações, já teria o mandado de prisão expedido, mas encontra-se foragido. Foram levados ontem até a Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), José Carlos dos Santos Júnior, de 29 anos, conhecido como Júnior Neguinho; Manoel Damasceno Sobrinho, 42 anos; e Murilo Damasceno dos Santos, de 18 anos, filho de Manoel e que, segundo a investigação, seria o traficante chefe do grupo e mandante das execuções, em decorrência de dívidas criadas com ele.

Conforme apresentado na delegacia, foi justamente a tentativa de homicídio frustrada no sábado (13), em que a vítima foi alvejada por diversos tiros mas conseguiu sobreviver, que possibilitou desencadear a prisão do trio. Mesmo ferido, o morador de rua foi levado ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). Aos policiais, o rapaz contou que a motivação do crime seria por dívida de tráfico. Ele contou que conseguiu reconhecer o autor dos disparos, que usava um capacete, mas com viseira transparente. No vídeo, feito durante o depoimento do morador de rua no hospital, ele explica aos policiais que “tava fazendo o corre [a comercialização do crack], pra ele [o autor da tentativa de homicídio]. Tava passando, vendendo pra ele”, mas que, por uma dívida de 50 reais, acabou sendo alvo do acerto de contas.

José Carlos de Santos Júnior, o Júnior Neguinho, é apontado como autor dos disparos. Na DIH, ele contou outra versão à reportagem de O HOJE. Com o histórico policial marcado por três passagens por homicídio, uma por roubo e outras duas autuações por porte ilegal de arma e posse de entorpecente, Junior Neguinho explicou que a vítima teria roubado da residência dele uma furadeira e uma serra circular e que, por isso, teria perdido o emprego e decidido se vingar do morador de rua. Para auxiliar na ação, ele pediu que o amigo, Murilo Damasceno dos Santos, de 18 anos, o emprestasse o revólver, calibre 38, usado no crime, e que o levasse na Honda Biz, de cor preta, para matar a vítima. A arma foi apreendida.

A polícia, no entanto, acredita na versão da vítima e que Murilo, na verdade, seria o mandante, sendo Júnior Neguinho apenas o executor. O delegado Murilo Polati, titular da DIH, acrescenta que há indícios consistentes de que a dupla, somada a Manuel Damasceno Sobrinho, e o outro homem, está envolvida em seis execuções de moradores de rua. Na descrição do delegado, Murilo, apesar da pouca idade, é o “patrão” e, por ser o traficante e “cabeça do grupo” definia quem iria morrer, devido às dívidas.

Fonte: O Hoje
Texto: Mário Braz
 Foto:  Google (Ilustração)

 OBS: Os suspeitos foram presos e entregues à Polícia Civil pela Polícia Militar