Polícia Civil: Prisão de traficante pela DENARC provoca escassez de droga em Goiás

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Titular da DENARC, Odair Soares, e delegado geral, João Carlos Gorski, falam sobre operação

Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça para outras investigações da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) revelaram que falta pasta-base de cocaína no mercado goiano e que a droga ainda existente subiu muito de preço.

Este foi o primeiro reflexo da desarticulação da quadrilha que prendeu Marcelo Gomes de Oliveira, de 34 anos, detido em uma mansão de luxo em Brasília (DF) – conforme noticiado no dia 10 de maio. Ele é apontado como principal fornecedor da droga aos grandes traficantes de cocaína de Goiás e do Distrito Federal. “Trata-se, sem dúvida, da maior quadrilha em atuação na região de Goiás e do Distrito Federal. E foi um trabalho difícil, desenvolvido ao longo de quatro operações, que só foi possível concluir por meio de campanas, de acompanhamento direto e de monitoramento pessoal das articulações do grupo”, destacou o delegado Odair Soares, titular da Denarc.

Para se ter uma ideia, a quadrilha de Marcelo teria atuado em uma ano com quase dez toneladas de pasta-base de cocaína, que, se refinadas à qualidade média e vendidas no atacado a R$ 8 mil, renderiam 68 toneladas de cocaína pronta para uso, movimentando R$ 548,8 milhões. Ao todo teriam sido 18 carregamentos durante o período.

De acordo com o delegado Odair José, o que garantiu a existência da quadrilha durante cinco anos, no mínimo, foi o fato dela funcionar de forma extremamente profissional, com cada grupo fazendo um tipo de função.

“A quadrilha tinha uma compartimentação de informações que impedia que uma pessoa soubesse o que outra fazia, assim, quem entregava a droga no Distrito Federal, por exemplo, não sabia quando a droga ia chegar ou onde mais era distribuída”.

Marcelo comprava a pasta-base de cocaína diretamente dos produtores de coca na Bolívia e na Colômbia e vendia apenas a grandes traficantes de Goiás e do Distrito Federal. “Ele vendia entre 50 quilos e 200 quilos aos traficantes”.

Dos 18 integrantes, segundo Odair José, apenas cinco pessoas, além de Marcelo, eram do círculo da cocaína. Dos envolvidos, 15 estão detidos e três são foragidos (veja nesta página). Marcelo foi transferido do Presídio da Papuda, em Brasília, para Goiás, dias depois da prisão. Atualmente, segundo o titular da Denarc, encontra-se no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional, em Aparecida de Goiânia.

Celulares
De acordo com as informações divulgadas ontem pela Polícia Civil, os integrantes da organização criminosa desbaratada pela Operação Esmeralda – em referência ao apelido ‘Zói Verde’, do chefe Marcelo Oliveira – dispunham de aparelhos celulares e números que eram utilizados para conversarem somente entre si, sendo proibida a utilização para conversa com terceiros. Tanto os aparelhos quanto os números eram trocados a cada 20 ou 30 dias. Foram apreendidos, em poder da quadrilha, mais de cem celulares e igual quantidade de chips. Os nomes e os CPFs utilizados para cadastramento, junto às operadoras, eram retirados de uma lista – apreendida na residência do líder da quadrilha – do site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), de doadores para campanha eleitoral de políticos.

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Parte da droga apreendida

Mudança de nome em cartório
Marcelo Oliveira, o Zói Verde, foi condenado definitivamente pela Justiça, no ano de 2000, a 21 anos de prisão, por latrocínio (roubo seguido de morte). Ele cumpriu alguns anos da pena em regime fechado, progredindo ao semiaberto, de onde foragiu.

Em 2007, o suposto chefe da organização criminosa desarticulada em Goiás e no Distrito Federal foi preso em flagrante delito e passou a responder a duas ações penais pelo crime de tráfico de drogas. “Causa estranhamento o fato de, após conseguir liberdade provisória no ano de 2008, os processos terem desaparecido do Poder Judiciário, onde estão sendo restaurados”, ressalta Odair José Soares.

Conforme o delegado, ao ser preso, em 2007, Marcelo Gomes de Oliveira utilizava o nome falso de Marcelo Gomes de Aguiar. Já em 2011, passou a utilizar também o nome José Marcelo Rodrigues de Morais, com o qual adquiriu veículos e movimentou contas bancárias – 16 ao todo. “Para nossa surpresa, apesar de seu passado criminoso, o suspeito conseguiu uma ação judicial difícil para muitas pessoas: em 2013, ele protocolou uma retificação de nome perante a Comarca de Aruanã e passou, então, a se chamar José Marcelo Gomes de Oliveira”

Fonte: Jornal O Popular
Fotos: Polícia Civil