Espancamento de cachorro Yorkshire por uma enfermeira causa comoção em todo o Brasil

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A divulgação na internet de um vídeo onde um cachorro yorkshire é espancado na frente de uma criança de 2 anos, em Formosa, a 289 quilômetros de Goiânia, causou comoção no Brasil. A autora do espancamento seria a enfermeira Camila Corrêa Alves de Araújo, de 22 anos. Durante boa parte do dia, o vídeo foi assunto mais comentado no Twitter e Facebook – esteve entre os mais vistos no Youtube.

 Nas imagens, Camila usa balde para bater na cabeça do animal, que também é lançado ao chão e na parede, enquanto o filho dela anda de um lado a outro. Conforme a Polícia Civil, que já investiga o caso, o cão morreu três dias após o fato, que teria ocorrido em 13 de novembro.

Yorkshire ainda com vida depois de ser cruelmente espancado pela enfermeira Camila Corrêa

 As imagens começaram a ser veiculadas na última quinta-feira, mas o vídeo já estava sob investigação policial desde o dia 21 de novembro. Segundo o titular do 1º DP de Formosa, Carlos Firmino Dantas, o material foi deixado de forma anônima na delegacia e a suspeita é a de que vizinho tenha gravado as cenas.

 O delegado diz que testemunhas que já foram ouvidas e disseram que esse tipo de atitude era frequente naquela residência – as imagens do vídeo foram compostas por várias gravações, com cenas da mulher com roupas diferentes. Porém, ele observa que ainda é necessário colher outros depoimentos, inclusive da enfermeira, para se concluir o inquérito – o que deve ocorrer na próxima semana.

 Dantas relata que Camila chegou a ir à delegacia, mas não prestou depoimento e que tudo está sendo feito por meio de um advogado, que prefere não se identificar. Segundo o defensor, ela teria tido crise nervosa – “estaria num mau dia” – e, por isso, espancou o animal. Apesar disso, o delegado observa que a investigação é complexa, pois não se trata apenas da agressão ao cachorro, mas pode ter ocorrido tortura psicológica com a criança. “Por isso, abrimos o inquérito aqui, pois se fosse o espancamento seria crime que se encaixa na lei ambiental, mas, nesse caso, os fatos transpassam para outro lado.”

 Perícia psicológica

 Diante da presença da criança no mesmo local em que Camila agride o animal, o delegado diz que é necessário investigar se a acusada tem condições de cuidar do filho. Segunda-feira, a criança vai passar por perícia psicológica em Goiânia, que foi determinada pela delegada-geral da PC, Adriana Accorsi. Ela afirma que teve conhecimento do vídeo por meio da filha na noite de quinta-feira e que ontem pela manhã determinou a abertura de inquérito tanto na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), quanto na Delegacia de Crimes Ambientais (Dema). Mas, como o caso ocorreu em Formosa, as investigações permanecem lá.

Adriana lembra que, mes­mo não sendo previsto prisão, Camila pode ser presa caso não colabore com as investigações. Dantas disse que a jovem e a família têm colaborado.

Perfil

Um perfil no Twitter atribuído a Camila Corrêa (@CamilaCdemoura) “bombou” ontem. Em cerca de 12 horas, ela pulou de pouco mais de mil seguidores para 14 mil. O perfil parecia ser fake. A primeira frase do perfil é: “Sou pessoa tranquila, amo meu maridão, meus filhos e meus cachorrinhos. Enfermeira por amor.”

A enfermeira, ou seu fake, postou frases que revoltaram os seguidores: “Tem até abaixo assinado rolando aí? De nada vai adiantar, acorda gente!”, “Me falem uma raça de cachorro que não dá tanto trabalho”; “Podem falar a vontade, não dá nada”.

 Imagens da suspeita vão parar na web

 O vídeo onde o cachorro yorkshire é espancado foi acessado centenas de vezes na internet. Junto com os acessos, comentários de indignação e pedidos de providência para o caso. Fotos da enfermeira Camila Alves de Moura começaram a ser divulgadas com os dizeres de “assassina” e, até mesmo, seu CPF foi colocado na rede, junto com endereço, telefone fixo e celular. Uma petição online, assim como um abaixo assinado, também está disponíveis na rede.

Por meio do Twitter, a ex-senadora e vereadora Heloísa Helena afirmou que enviou representação à promotoria de infância do Ministério Público de Goiás. “Já conseguimos agora! Obrigada a quem de forma responsável me passou por DM! É de Goiânia! Vamos Formalizar Denúncia!/ Acabei de enviar Representação MP/Va­ra da Infância e Procurador Geral de Justiça/Goiás. #LeiLobo”.

ONG

 A presidente da ONG Biodefesa, Lourdes França Rabelo, observa que a questão de maus-tratos a animais é reflexo da falta de educação e de consciência de parte da população. Além disso, diz que pessoas que cometem agressões contra bichos normalmente repetem atos que presenciaram quando criança, principalmente os cometidos por membros da família. “Toda criança nasce gostando de animais e algumas mudam justamente por conta do que presenciam.”

MP

 Diante da enorme repercussão do caso, várias denúncias foram feitas ao Centro de Apoio Operacional Criminal do MP. Entretanto, como a apuração já está sendo feita pela Polícia Civil de Formosa, o coordenador do CAO Criminal, Bernardo Boclin, encaminhou todas as manifestações recebidas à Coordenação das Promotorias de Formosa para conhecimento e adoção das providências cabíveis. A Ouvidoria do MP recebeu 62 denúncias, e outras 92 foram encaminhadas ao CAO do Meio Ambiente.

Fonte: O Hoje
Texto: Wanessa Rodrigues
Foto: O Hoje