Trabalho de João Carlos Gorski é destaque em matéria de uma página no Diário da Manhã

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Delegado Geral da Polícia Civil, João Carlos Gorski defende leis mais duras para vencer o crime
Delegado Geral, João Carlos Gorski , defende leis mais duras e vê a impunidade como uma das causas da criminalidade e violência que tanto mal tem feito à sociedade

Trabalho desenvolvido pelo Delegado Geral da Polícia Civil, João Carlos Gorski, à frente da instituição, foi destaque no Diário da Manhã, na edição desta segunda-feira, dia 16. Na matéria de uma página, o jornal aborda o perfil do atual chefe da Polícia Civil goiana, como defensor e entusiasta da inteligência e meios científicos para a elucidação de crimes. Na matéria, João Gorski fala também da criminalidade e violência, apontando a impunidade como uma de suas causas, e defende a aplicação de leis mais duras para vencer o crime.

              “Se não endurecer o jogo contra o crime vamos perder”

Delegado geral da Polícia Civil analisa as causas da violência, credita à frouxidão da legislação a escalada da criminalidade e só com leis mais duras será possível vencer o crime. “Concluímos que pobreza nunca foi sinal de violência. Têm inúmeras pessoas que ganham poucos vivem dignamente com o que recebem e são extremamente honestas. No mesmo caminho podemos ver pessoas que são abastadas, têm ótima renda e que têm predisposição par ao crime. Vemos isso diariamente. O detalhe que faz a diferença é a ganância. O detalhe que complica toda a situação é a legislação que favorece isto”

O delegado geral da Polícia Civil de Goiás, João Carlos Gorski, é um dos policiais mais conceituados na Segurança Pública e estudioso das causas da violência. Como chefe da Polícia Judiciária, à qual cabe investigar crimes, combater a criminalidade e compor o complexo aparato da segurança ele consegue se manter em constante atualização, mostrando que faz aquilo que prega aos seus comandados: só com inteligência será possível vencer a guerra contra o crime.

Ele é um dos principais entusiastas da utilização de modernas técnicas de investigação e da farta manutenção de meios científicos para elucidação de crimes e para o combate às suas práticas. “Nossos procedimentos hoje não são meros relatórios policiais, se constituem em um conjunto de provas colhidas de modo criterioso com recursos científicos que vão permitir ao Judiciário embasar a denúncia e a condenação de quem comete crimes”.

Em entrevista ao Diário da Manhã, João Gorski comentou a escalada da violência que tem sido mais sentida em Goiás e credita à frouxidão das penas o incentivo para que criminosos continuem a delinquir. Para ele somente com penas mais duras e regimes de cumprimento dessas sentenças será possível provocar medo nos criminosos e fazer com que tenham receio de cometer delitos.

João Carlos Gorski avalia que criminalidade e violência não decorrem de disparidades sociais e que pobreza não induz ao ingresso no mundo do crime, mas a certeza da impunidade. Para ele não precisa ser um tráfico, um assalto ou mesmo homicídio que decorre dessa impunidade, mas transgressões de menor potencial ofensivo, que são cometidos até mesmo por pessoas ditas respeitáveis. “Um indivíduo no Brasil fura sinal vermelho, faz conversão indevida, joga lixo pela janela do carro. Vai para os Estados Unidos e aluga um carro para passear. Só que lá ele dirige com as duas mãos no volante, não fura sinal e não joga lixo, porque sabe que a pena lá é dura e será cumprida”.

A gestão de João Carlos Gorski está sendo marcada por forte atuação correicional, punindo policiais que cometam transgressões e colocando pra fora a banda podre da polícia. Mesmo despertando a ira de criminosos com distintivo ele insiste que é preciso saber cortar na própria carne para não permitir que o crime aja em todos os níveis da sociedade.

DM – A utilização de tecnologia para a atividade policial tem sido o diferencial no combate à criminalidade?

João Carlos Gorski – Toda tecnologia é sempre muito bem vinda para a segurança pública, porque propicia a diminuição de policiais na atividade de campo. Temos visto isso em várias forças policiais do mundo. Se utilizado um amplo aparato tecnológico as pessoas não vêm diretamente o policial, mas em qualquer ocorrência essa força policial chega com muito mais rapidez e melhor orientação ao local onde foi cometido o crime. A Polícia Civil se modernizou muito nos últimos anos em termos de aparato tecnológico que estão nas mãos de nossos policiais, principalmente com o serviço de inteligência, justamente para isso, para ajudar na investigação. Nossos procedimentos hoje são muito técnicos. Quando apontamos alguém pela prática de um crime, quando uma pessoa é indiciada, não vai apenas um relatório policial, mas todo um conjunto de provas para que o Ministério Público possa denunciar essa pessoa com mais segurança e que o Judiciário possa julgá-lo com melhores condições. Trabalhados com qualidade para garantir a manutenção das provas.

DM – Mesmo com esses avanços a criminalidade tem crescido. Onde está o erro?

Viaturas da Policia Civil  empregadas na repressão  ao crime
Viaturas da Policia Civil empregadas na repressão ao crime

João Carlos Gorski – A questão da criminalidade no Brasil eu considero que seja conjuntural. Vamos voltar no tempo e analisarmos o que foi dito para comparar com hoje. Em 2001 o debate indicava que uma das principais causas da criminalidade era a pobreza. Aquele discurso forte de que o Brasil ainda era um país de pobres, com má distribuição de renda e que as desigualdades sociais eram indutoras da criminalidade. O que experimentamos agora é que essa argumentação foi suplantada. O Brasil se fortaleceu em termos econômicos desde o final da década de 1990, o PIB aumentou consideravelmente, ocorreu um grande avanço na redistribuição de renda, mas continua o mesmo problema da violência. Aí começamos a fazer uma análise das razões disso. Concluímos que pobreza nunca foi sinal de violência. Tem inúmeras pessoas que ganham pouco e vivem dignamente com o que recebem e são extremamente honestas. No mesmo caminho podemos ver pessoas que são abastadas, têm uma ótima renda e que têm predisposição para o crime. Vimos isso diariamente. O detalhe que faz a diferença é a ganância. O detalhe que complica toda a situação é a legislação que favorece isto.

DM – Em quais termos favorece?

João Carlos Gorski – Temos uma legislação hoje que é o grande calcanhar de Aquiles da segurança pública. De modo geral a lei é frouxa e não mete medo em ninguém que queira cometer um crime. Vamos pegar como exemplo um homicídio. Um indivíduo tira a vida de uma pessoa, desestrutura uma família, causa um problema social muito grande. Se esse homicida for identificado, denunciado e condenado ele passará muito pouco tempo na cadeia. Países europeus e mesmo os Estados Unidos passaram por isto e só superaram esse gargalo quando adotaram penas mais rígidas. Se tornaram muito duros quanto ao combate aos crimes e o cumprimento de penas. Cito como exemplo sempre em palestras o seguinte caso. Aqui mesmo em Goiânia você pode ver uma pessoa bem vestida e dirigindo um bom carro que fura um sinal, faz uma conversão indevida, joga lixo pela janela e comete outras transgressões, coisas básicas que não sejam propriamente um crime violento. Ele vai para os Estados Unidos e aluga um veículo para passear, só que lá ele não fura sinal, não joga lixo pela janela e não comete infrações porque sabe que lá a pena é dura e que atinge a todos. Se for apanhado transgredindo a lei por lá o indivíduo é levado à presença de um juiz que irá sentenciá-lo, seja ele quem for não importa e a pena é para todos e é dura. No Brasil a coisa é branda. Se um jovem é preso e condenado ele sai ainda jovem do presídio, depois de aprender uma infinidade de outros crimes. Nos Estados Unidos um homicídio tem penas de 25 anos, prisão perpétua e até mesmo pena de morte em alguns estados. Há a consciência de que aquela pessoa precisa ser retirada da sociedade, de quem pratica um mal não pode conviver com as outras pessoas. Aqui é um entra e sai do presídio com muita facilidade.

DM – A saída será endurecer as penas e o cumprimento delas?

João Carlos Gorski – Eu entendo que sim, porque a impunidade é a mãe de todos os crimes. Precisamos ter regras claras e elas têm de ser aplicadas. As estatísticas mostram que a maior parte dos criminosos no Brasil hoje são jovens, na faixa de 18, 20 e até 25 anos. Quem pratica um homicídio no Brasil hoje cumprirá efetivamente na cadeia uma pena branda e sairá antes de completar os 30 anos. Se você dizer para um indivíduo que se ele cometer um crime ele ficará 30 anos na cadeia e que só sairá de lá com 50 anos ele vai pensar melhor antes de cometer um delito. Quando eu trabalhava em delegacias conheci inúmeras pessoas que eram semi-alfabetizadas, mal sabiam ler, mas sabiam bem a dosimetria de suas penas. Eles diziam assim: delegado, eu cumpro isso aí em no máximo um ano com uma mão amarrada nas costas. Ora, isso é debochar do estado. O recado que o Estado precisa dar para quem transgride as leis é que quem for condenado irá cumprir sua pena. Precisamos ter regras rígidas e que elas sejam cumpridas.

DM – A escalada do crime tem como contribuição principal o abrandamento das penas para uso e tráfico de drogas?

João Carlos Gorski – Eu sou radicalmente contra as drogas, mas devo admitir que não vamos conseguir avançar muito. O Brasil tem, infelizmente, uma particularidade que nos torna muito mais vulneráveis que outros países da Europa e mesmo dos Estados Unidos. Nós somos vizinhos dos principais produtores de drogas, como Bolívia, Peru, Colômbia e mesmo o Paraguai que produz maconha farta e barata. Precisamos nos convencer que não vamos conseguir combater a droga repreendendo viciados, mas somente combatendo com firmeza o tráfico, com um grande problema que é um mercado extremamente lucrativo e sedutor para nossos jovens. Um indivíduo em fase de ingressar no mercado de trabalho sabe que irá ganhar um salário mínimo ou pouco mais que isto. Ao passo que no tráfico ele irá ganhar muito mais que isso. Um negócio que ele fizer lhe renderá esse mesmo montante de um mês de trabalho. Por outro lado é o usuário quem financia uma infinidade de outros crimes, como furtos, assaltos e outros. Ninguém furta ou rouba 20 celulares para ter esse tanto de celulares no bolso ou em casa. Rouba apenas para trocar por drogas.

DM – A saída então é endurecer as penas?

Celas lotadas como resultado do empenho dos policiais nas investigações
Celas lotadas: resultado do empenho no trabalho dos policiais

João Carlos Gorski – Sem meias palavras. Um criminoso apanhado com drogas passa poucos dias na cadeia, às vezes menos do tempo do que a Polícia Civil precisou para investigá-lo e prendê-lo. Ele precisa saber que se for preso vendendo drogas ele irá passar uma boa temporada na cadeia, pagando pelo crime que cometeu Se as leis não forem mais duras,  e com condições para cumprimento efetivo das penas, o Brasil irá perder a guerra travada para vencer o crime, que hoje tantos problemas tem causado à sociedade.

Fonte: Diário da Manhã
Texto: Hélmiton Prateado
Fotos: Ruber Couto, Dani  Reis e Eduardo Ferreira