Como conviver no dia a dia com alguém ansioso?

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A ansiedade é uma atividade emocional natural do ser humano diante da possibilidade de eventos temidos, ou seja, é uma resposta adaptativa vinculada a comportamentos de fuga. Como uma defesa tipicamente humana, a ansiedade pode ser compreendida e trabalhada na terapia e em outras relações sociais de maneira saudável. Porém, se o temor do futuro for excessivo e acompanhado de perturbações comportamentais, a ansiedade pode ser diagnosticada como um transtorno psíquico e deve ser tratada com ajuda especializada.

A persistência da ansiedade diante do objeto específico é o fator determinante para o diagnóstico, pois a duração dos sintomas é um critério que diferencia a resposta adaptativa do transtorno. É importante ressaltar que, no diagnóstico de algum transtorno de ansiedade, os indícios não devem ser vinculados unicamente ao uso de substâncias químicas ou fundamentados por outro transtorno mental. No cotidiano a ansiedade é observável na agitação corporal, alterações do sono, fala agitada de teor pessimista, entre outros sintomas.

O que diferencia a vivência da ansiedade saudável para a patológica é o suporte que a pessoa possui para lidar com as preocupações presentes. O sujeito sem uma rede de apoio se perde nos próprios medos e adoece. Na vivência com a pessoa ansiosa, o ideal é ouvi-la e auxiliá-la nas propostas de enfrentamento do sofrimento. É correto respeitar o tempo da pessoa sem forçá-la a descrever o que teme, pois muitas vezes o silêncio dela é uma resposta positiva em relação aos seus medos.

O sujeito ansioso deve encontrar uma maneira de questionar os sentimentos de dúvida que o cercam, compreender o que o justifica e aceitar sua mutabilidade e potencial de negociação na realidade. Tratar a ansiedade não é negar seu sofrimento, mas compreender pelo diálogo transformativo abrindo espaço para novas ansiedades saudáveis. Organizar as tarefas do dia a dia é uma boa medida para ajudar a pessoa ansiosa a lidar com seus sintomas, manter a comunicação clara sem ambiguidades e planejar os eventos futuros são maneiras eficientes de ajudar uma pessoa ansiosa no dia a dia.

Responsável técnica: Aline Resende (Coordenadora do Serviço de Psicologia da DPSS)
Produzido por: Gabriela Radaelli (Estagiária de Psicologia da DPSS)