Desmistificando o alcoolismo

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“O álcool é a droga mais pesada que conheci”, revelou o ator Fábio Assunção em entrevista sobre sua dependência química. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em torno de 3% da população brasileira é considerada alcoólatra, são cerca de 4 milhões de brasileiros que estão adoecidos. Diferentemente de outras doenças, o alcoolismo se manifesta lentamente de maneira silenciosa e muitos dos que sofrem dessa enfermidade sequer sabem que estão doentes.

Profissionais especializados em saúde informam que não é a quantidade de álcool que determina o alcoolismo, mas a compulsão pela bebida como se fosse uma necessidade básica de sobrevivência. A dependência da bebida alcoólica é o que caracteriza esse adoecimento, somada a outras evidências, como a elevada tolerância e as crises de abstinência. O abuso dessa droga lícita acarreta efeitos danosos para a saúde que podem ser observados pelo próprio sujeito e por aqueles que estão à sua volta.

Conforme o médico Dráuzio Varella, o alcoolismo se desenvolve em três fases: a adaptação, a tolerância e a síndrome de abstinência. O contato inicial com o álcool, na fase de adaptação, é geralmente positivo, pois a substância traz novas possibilidades de enfrentamento de dificuldades sociais e emocionais. O momento de tolerância é definido pela adequação da droga lícita no Sistema Nervoso Central, propiciando o aumento da dosagem no corpo. Assim, quando a ausência do álcool traz repercussão negativa ao funcionamento do organismo, entende-se que o sujeito se encontra na fase de síndrome de abstinência.

Essa síndrome possui alguns sinais comuns: ansiedade, sudorese, taquicardia, fadiga, náusea e vômitos entre outros. Devido aos efeitos diretos da substância no sistema nervoso, complicações como delírios e alucinações também podem ser observadas em algum momento. Além da deterioração da saúde mental do dependente, o alcoolismo também tende a comprometer a vida social, afetiva, familiar e profissional.

O consumo do álcool pode ser saudável enquanto seu uso permanece de forma moderada. Porém, por ser uma droga lícita e socialmente aceita, há o risco de que o aumento do consumo de forma gradativa até caracterizar um nível de adoecimento.

Caso se observe que o uso álcool é uma estratégia constante para aliviar tensão, para lidar melhor com os problemas diários, deve ser avaliada a presença de adoecimento.  O tratamento começa com o reconhecimento da doença e deve ser iniciado o mais rápido possível por especialistas da área (psiquiatras, psicólogos, dentre outras especialidades).

Fontes:

ISTOÉ GENTE. “O álcool é a droga mais pesada que conheci”, diz Fábio Assunção. 05 dez 2020. Disponível em:

https://istoe.com.br/o-alcool-e-a-droga-mais-pesada-que-conheci-diz-fabio-assuncao/

VARELLA, Drauzio. Fases de evolução do alcoolismo. Site Drauzio Varella. Acesso em: 09 dez 20. Disponível em:

https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/fases-de-evolucao-do-alcoolismo-artigo/

Responsável técnica: Aline Resende (Coordenadora do Serviço de Psicologia da DPSS)

Produzido por: Gabriela Radaelli (Estagiária de Psicologia da DPSS)