Goianésia registra 80% de redução de casos de feminicídio após Delegacia da Mulher

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poliana bergamo
Delegada Poliana Bergamo

Nos últimos três anos, enquanto no Brasil o número de mulheres assassinadas subiu em quase 9%, e em Goiás a violência contra a mulher aumentou em mais de 60%, em Goianésia, após a instalação da Delegacia da Mulher, a redução de mortes foi de 80%.

“Estamos há um ano e oito meses em funcionamento e tivemos uma redução de 80% no número de homicídios praticados contra as mulheres”, comemora a delegada Poliana Bergamo, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Goianésia.

Desde o primeiro dia de trabalho, a rotina da delegada tem sido puxada. Neste período, a Deam já registrou mais de 700 procedimentos e efetuou as prisões em flagrante de mais de 70 agressores.”A partir do momento que nós temos instalada no município essa delegacia, as mulheres passam a procurar o serviço. Nós orientamos sobre o que fazer, quais são os procedimentos, como pedir uma medida protetiva, afastar o companheiro do lar”, explica.

Mas o trabalho da delegada da Mulher, muito mais que priões e procedimentos, de fato, conseguiu cumprir sua missão, que é a proteção do sexo feminino. Segundo dados da Polícia Civil, em 2011, 11 pessoas foram assassinadas em Goianésia, sendo três mulheres. Em 2012, 12 pessoas foram mortas, e destas, três eram do sexo feminino. Em 2013, 21 pessoas tiveram a vida ceifada, destas, seis eram mulheres.

Já no ano de 2014, ano de instalação da Delegacia da Mulher, o número de feminicídios foi de zero. Neste ano, até hoje (24 de novembro), uma mulher foi assassinada, num total de 20 mortos. O autor do crime registrado em 2015, foi preso várias vezes antes de cometer o assassinato, mas foi solto em seguida.

“Ele era uma pessoa extremamente violenta, agrediu a companheira de forma extremamente cruel naquela oportunidade, ficou preso uns quatro meses, foi posto em liberdade provisória pelo Poder Judiciário, se envolveu com uma outra mulher, a agrediu também, foi preso em flagrante, novamente foi liberado, se envolveu com uma terceira mulher, também a agrediu fisicamente, foi posto em liberdade novamente pelo Poder Judiciário. Eu, porém, ressalto que, em todos esses flagrantes, eu pedi a prisão provisória dele”, ressalta Poliana.

A delegada conta que apesar da presença da Delegacia da Mulher na cidade, ainda existe um receio por parte das mulheres em procurar os seus direitos. Ela explica os motivos que fazem com que as vitimas se calem. “São diversos motivos, como o medo de romper o relacionamento, a preocupação na criação dos filhos, a dependência financeira”, diz.

Apesar disso, a violência doméstica e, principalmente, o número de assassinatos de mulheres caíram drasticamente na cidade. Enquanto o país e o Estado registram cada vez mais crimes contra o sexo feminino, Goianésia está na contramão, graças ao trabalho da Polícia Civil. “No decorrer de 2015, tivemos prisões de bastante repercussão, como o caso de um professor de educação física que abusava de alunos, o padrasto que abusou de duas enteadas, entre outras prisões. Se Deus quiser, no ano de 2016, não contaremos com nenhum feminicídio”, almeja a delegada.

Veja o vídeo da matéria veiculada no Programa Correio Goiano:
https://youtu.be/DBdkWHz03b4