O poder terapêutico da arte

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Você já se deparou em lágrimas apenas ouvindo o refrão de alguma música? Se indignou com o vilão de uma novela? Ou chorou ao assistir uma cena emocionante no cinema? Independente da maneira, com certeza você já viveu pelo menos um desses momentos em que a arte nos desperta as mais variadas emoções.

Essas experiências são comuns a todos nós porque a arte é capaz de estimular nosso cérebro e afetar nossos pensamentos e comportamentos.

A música, por exemplo, ativa mecanismos cerebrais responsáveis pela liberação de emoções diversas, as estimulações sonoras estão presentes em praticamente todas as nossas ocasiões. Desde os cantos de parabéns nos aniversários até em trilhas sonoras suaves e calmas nos ritos de despedidas quando perdemos um ente querido.

Segundo pesquisas, na neurociência os elementos sonoros são organizados no nosso sistema nervoso e geram respostas emocionais. Por isso, ouvir e reproduzir melodias nos permite expressar afetos e emoções. A estimulação visual também opera de maneira semelhante no sistema nervoso, ativando sinapses e induzindo reflexão no espectador. Isso ocorre porque a região do cérebro responsável pelas nossas emoções, o sistema límbico, é parte do sistema nervoso que, quando estimulado por manifestações artísticas, reage de maneira adequada através das emoções e das sensações. Assim, adentrar uma obra de ficção audiovisual não apenas nos permite despertar sentimentos como também entrar em contato com diferentes realidades e nos levar a novos raciocínios e observações.

Em outras palavras, o contato com a arte é um meio para a expressão da subjetividade. A introspecção necessária para vivenciar uma obra artística permite ao espectador focar em seus próprios sentimentos e pensamentos. O autoconhecimento pode ser uma ferramenta importante para a preservação e manutenção da saúde mental.

Não somente consumir obras artísticas é capaz de estimular sentimentos, mas produzir arte é uma experiência com função terapêutica. A arteterapia é uma estratégia terapêutica na qual o trabalho artístico é utilizado como ferramenta para tratamento em saúde mental, a expressão dos sentimentos pela arte é também autoconhecimento. Se conectar com as artes é também se conectar com o próprio corpo e mente.

Produzido por: Gabriela Radaelli (Estagiária de Psicologia da DPSS)
Responsável técnica: Aline Resende (Chefe da Seção de Psicologia da DPSS)
Referências:

ANTUNHA, Elsa Lima Gonçalves. Música e mente. Bol. – Acad. Paul. Psicol., São Paulo ,
v. 30, n. 1, p. 237-240, jun. 2010 . Disponível em
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-
711X2010000100016&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 09 maio 2021.

DOS REIS, Alice Casanova. Arteterapia a arte como instrumentos no trabalho do
psicólogo. Disponível em https://psibr.com.br/leituras/psicologia-clinica/arteterapia-a-arte-
como-instrumento-no-trabalho-do-psicologo Acesso em 10 maio 2021