O que define o assédio moral?

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O dia a dia no trabalho pode ser estressante com prazos, ordens e regras para cumprir, porém tudo fica mais simples com a cooperação dos chefes e colegas. As relações de trabalho são de grande importância na saúde mental de um trabalhador e, por isso, o assédio moral tem consequências que vão muito além do clima organizacional. Condutas abusivas e sistematizadas que ferem a dignidade e integridade da pessoa no ambiente de trabalho são facilitadoras para o adoecimento psíquico.

O assédio moral não é apenas uma relação pouco amigável com um colega ou um chefe, mas manifestações frequentes de desrespeito e violência no ambiente de trabalho. Segundo a psiquiatra e psicanalista espanhola Marie-France Hirigoyen, autora do livro Assédio Moral – A violência perversa no cotidiano, o assédio se caracteriza principalmente pela sua repetição e falta de trégua. O assediador, ao ferir a autoestima e dignidade do outro com comportamentos agressivos, discriminações e violências físicas ou verbais causa sofrimento psicológico e doenças psicossomáticas na vítima.

A intenção do agressor é inferiorizar e humilhar, isolando o alvo do resto da equipe. A hostilidade coloca em questão a autoestima, a identidade e a autonomia da vítima por ser uma ameaça direta a seu emprego que, muitas vezes, é sua única fonte de renda. Os estudos da autora comprovam que as repetidas agressões físicas e psicológicas no trabalho são propícias para o adoecimento mental, visto que a conduta abusiva tem consequências psicológicas como insônia, melancolia, crises de choro e até crises de pânico. A situação do assédio é de estresse elevado para a vítima e, por isso, quanto maior a exposição, tanto em frequência quanto em intensidade, mais graves serão os prejuízos à saúde.

O assédio moral é um problema social que afeta o bem-estar biopsicossocial. As vítimas devem buscar medidas legais para interromper essa vivência e ajuda especializada para tratar o adoecimento consequente. O ambiente hostil pode acarretar em danos irreparáveis à saúde do sujeito. Portanto, o apoio de familiares e pessoas próximas é essencial para que esse momento seja superado antes que ocorram consequências mais graves.

Responsável técnica: Aline Resende (Coordenadora do Serviço de Psicologia da DPSS)
Produzido por: Gabriela Radaelli (Estagiária de Psicologia da DPSS)
Fontes: Assédio moral, sem máscaras. Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, 2008. ARAÚJO, Luiz Carlos. Assédio Moral. Migalhas UOL, 2010.