Princípio ativo usado na pecuária para controle de parasitas no gado e na soja era usado para esconder excipientes cancerígenos aos animais e ao ser humano, apura Decon

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No dia 06 de julho deste ano, a Polícia Civil do Estado de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), deflagrou Operação Carne Tóxica. A operação encerra a primeira etapa de investigação em trâmite na Decon que encontrou indícios de um esquema criminoso de venda ilícita de agrotóxicos que são misturados na ração ou sal mineral, com objetivo de combate ao inseto conhecido como “Mosca do Chifre” e ao aracnídeo “Carrapato”. A operação foi integrada com a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás (CRMVGO), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREAGO) e Delegacia de Polícia Civil de Jaraguá. Simultaneamente, em quatro empresas de Goiânia e uma de Jaraguá, foram realizadas inspeções pelos órgãos.

Um dos objetivos da operação foi coibir a venda de produtos agrícolas para uso em animais bovinos. O desvio de finalidade de produtos é crime contra a saúde pública e prevê pena de 10 a 15 anos de reclusão. No caso que foi alvo da operação, donos de lojas, vendedores, engenheiros agrônomos e médicos veterinários ofereciam a pecuaristas produtos agrícolas recomendando o uso na alimentação dos animais bovinos. Para burlar o desvio de finalidade dos produtos, esses profissionais se aproveitavam da existência do princípio ativo Diflubenzuron, usado e patenteado no Brasil para a indústria de saúde animal para controlar parasitas do gado. “Este princípio ativo é inócuo quando usado em animais e pessoas, inclusive está autorizado pela Organização Mundial de Saúde para uso em água potável. Já nos produtos agrícolas recomendados ilegalmente para serem misturados à ração e ao sal mineral, existem componentes excipientes que são tóxicos para animais e para o ser humano, como é o caso da Epicloridrina”, explica Josélio Andrade Moura, Secretário Geral da Academia Brasileira de Medicina Veterinária. A Epicloridrina é uma espécie de cola para fixar o agrotóxico nas plantas, protegendo-o da ação do sol e da chuva. A Epicloridrina é classificada pela tabela de componentes químicos como de alto risco cancerígeno.

No transcorrer da investigação, a Polícia Civil descobriu que os produtos DIMILIN, TRULYMAX e COPA eram vendidos ilegalmente para uso na pecuária. Para o Conselho Regional de Medicina Veterinária, a prática descoberta pela política mostra que a prática usada no balcão das lojas é uma das formas que grandes fornecedores de produtos desviados ou contrabandeados ocupam o mercado pecuário colocando em risco a saúde do consumidor. Após a operação deflagrada e que terá sequência em Goiás, outras regiões do país passaram a investigar a mesma prática através de recomendação da regional do CRMV-GO.